Estamos cercados de novas teorias e novos conceitos sobre o mundo em que vivemos, que frequentemente baseiam-se em pressupostos pouco explicitados. Isso nos tem levado mais à opacidade do que à transparência.
Ao descreverem a sociedade contemporânea os analistas utilizam termos como sociedade da informação, pós-industrial, pós-fordismo, modernidade, pósmodernidade que, mais do que adjetivos ou prefixos, são usados para traduzir genuínas transformações na vida do mundo contemporâneo.
Kumar apresenta e avalia conceitos e postulados de três teorias que explicam a mudança social, cultural e econômica que ocuparam o último terço deste século: a ideia de sociedade da informação, as teorias do pós-fordismo e as teorias da pósmodernidade. No primeiro e segundo capítulos analisa a ideia de movimento de uma sociedade pós-industrial em direção à sociedade da informação e seu significado como ideologia e realidade. Mostra como a lógica do capitalismo engloba cada vez mais maiores áreas da vida social e cultural em seu campo de atividades e na racionalidade do mercado.
No terceiro capítulo analisa a segunda teoria do pós-industrialismo: o fordismo e o pós-fordismo. Através do texto, Kumar mostra o quanto a mudança no cotidiano do trabalho foi acompanhada de alterações na vida familiar, no lazer, no âmbito cultural e político.
O quarto e quinto capítulos focalizam as questões da modernidade e da pósmodernidade. Para evitar o aspecto de faca de dois gumes desta teoria, Kumar apresenta definições associadas aos termos que ajuda a discriminá-los e evitar equívocos sobre o tema que, normalmente, é vítima de um certo modismo.
Finalmente, no último capítulo faz uma avaliação das três teorias e atinge seu objetivo de dar uma ideia tão clara quanto possível das mesmas e formular perguntas sobre elas.
Por isso a importância deste livro. Ele é uma etapa decisiva na construção do conhecimento sobre as novas teorias do mundo contemporâneo. Por que esta etapa?
Sabemos que teorias são sempre parciais. Entretanto, a sua maior riqueza e fecundidade está nas questões que podemos levantar com elas. Assim, entrar no pensamento do autor supõe que o leitor possa fazer, ele mesmo, este trabalho de construção. Através do crivo de Kumar, numa linguagem clara e acessível, uma dezena de autores nos ajudam a encarar as mudanças e a alicerçar nossas convicções em relação a elas.
Este livro tem o mérito de nos reconciliar com a dissociação tão presente nas teorias sociais ocidentais – que são o foco do autor – e nos mostrar que ela é uma fonte, um meio de construção no nosso dia a dia, dos nossos vários estágios de conhecimento. É neste movimento explícito que o autor evidencia os limites e alcance de nossos discursos.

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