A recuperação dos cursos de água é fundamental para a requalificação da paisagem, do ambiente urbano e para a reconexão entre as suas partes. Os novos sistemas verdes constituem ocasião de requalificação do ambiente e, ao mesmo tempo, elemento de renovado equilíbrio ecológico. Nesse sentido, salientamos a contribuição do livro APPS fluviais na cidade contemporânea, pois, no seu conjunto, os capítulos oferecem um painel diversificado para todos aqueles que se interessam e trabalham com a inserção dos rios na paisagem urbana.
No primeiro capítulo, Isabel Cristina Moroz-Caccia Gouveia e Cleide Rodrigues discutem sobre a apropriação das planícies fluviais na bacia hidrográfica do Rio Tamanduateí, na Grande São Paulo, onde a produção e apropriação do espaço pela urbanização, através do desmatamento, impermeabilização do solo, retificações e canalizações dos cursos fluviais é responsável pelo aumento da frequência e magnitude das inundações. Apoiando-se na proposta metodológica denominada Geomorfologia Antropogênica e Histórica, as autoras apresentam um histórico sobre a ocupação da bacia hidrográfica, acompanhado de análises qualitativas e quantitativas referentes às mudanças decorrentes da urbanização em sistemas físicos, a partir da cartografia geomorfológica, concluindo que a preservação e recuperação de áreas de várzeas são extremamente importantes tanto do ponto de vista físico e ecológico, quanto econômico (reduzindo investimentos em obras estruturais de combate a inundações) e social, proporcionando qualidade ambiental.
Frente às questões da sustentabilidade das áreas de preservação permanente, Jeane Aparecida Rombi de Godoy Rosin analisa os desafios apresentados com as intervenções na Billings, em São Bernardo do Campo. As áreas de preservação permanente, delimitadas pelas bordas da Represa Billings – ocupadas por assentamentos habitacionais precários – ocasionam diversos impactos negativos no manancial, os quais afetam não apenas a população residente, mas toda a metrópole ao intensificar as vulnerabilidades socioambientais. As ações governamentais voltadas para a questão da ocupação das áreas de mananciais se mostraram incipientes e esparsas, não sendo observado qualquer tipo de recuperação ambiental até que a Lei Estadual nº 9.866/1997 veio a instituir um novo modelo de planejamento e gestão dedicado ao tratamento específico das áreas de mananciais, onde não somente passou a adotar a bacia hidrográfica como unidade de intervenção, como também previu a adoção de instrumentos de caráter urbano- ambiental, visando à recuperação das áreas degradadas. Como estudo de caso, foram analisados projetos implantados em São Bernardo do Campo, em áreas de proteção e recuperação dos mananciais da represa Billings.

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