A Ideologia Da Competência reúne textos em que Marilena Chaui constrói a crítica da ideologia da competência. Pela crítica percebemos como o autoritarismo brasileiro se “modernizou” nas últimas décadas e se encarnou nos administradores que se apresentam como “políticos” competentes a pregar choques e choques de gestão. A ideologia da competência teve origem e disseminação internacional, mas foi adaptada diferentemente pelos enclaves nacionais do capital financeiro. No caso do Brasil, ela tornou-se a mais nova manifestação ideológica do vetusto autoritarismo brasileiro.
Não é por acaso que o ensaio Ideologia da competência abre e dá nome a este volume. Publicado originalmente na obra O que é ideologia?, em 1981, ele é a matriz dialética deste livro, na medida em que investiga a história da ideologia burguesa e abre a interrogação sobre as peculiaridades do funcionamento da ideologia neste bloco histórico de hegemonia neoliberal. O ensaio interroga as transformações que a ideologia burguesa sofreu desde o século XIX, passando pela regulação fordista a partir de 1930 e, por fim, chegando à sua fase neoliberal. A ideologia da competência surge inicialmente no interior do fordismo, com a divisão entre gerência científica e trabalho especializado, entre competência dos administradores e incompetência dos trabalhadores, que devem ser controlados e dirigidos pela gerência. Durante a gênese do novo bloco histórico pós-fordista, o neoliberalismo apropriou-se da ideologia da competência e a desenvolveu num outro sentido.
A interrogação sobre as peculiaridades do funcionamento da ideologia da competência no neoliberalismo concentra-se na análise de duas instituições determinadas: a universidade e a indústria cultural. Pelos ensaios, os leitores e as leitoras perceberão de que maneira a tecnociência mais avançada e a cultura de massas mais estúpida têm uma lógica comum que lhes é dada não apenas pelos interesses da classe dominante, que em âmbito internacional forçou as privatizações para controlar esses aparelhos de hegemonia nos enclaves nacionais, mas também pelo processo de fragmentação social que é próprio das décadas de “acumulação flexível”.

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