Lúcio de Mendonça fez parte da geração literária combativa e veemente, antimonárquica e anticlerical, que lutou pela abolição e a república. Como a época em que viveu, o gosto pela polêmica estava em seu sangue e em sua pena. Tinha paixão pelas atitudes extremas.
Jornalista combativo, sempre disposto ao debate e até mesmo ao escândalo, foi poeta lírico um tanto convencional e poeta social desabusado e provocador. O melhor de sua poesia encontra-se aí, sobretudo quando vibravam em seus versos a revolta e a indignação, muitas vezes identificadas com a mensagem de Cristo.
São dele os versos incendiários que afirmam que “vós não vos salvais se não bebeis/todo o sangue do último dos padres/pelo crânio do último dos reis!”. Como memorialista adoçou os seus ímpetos, mostrando o Lúcio de Mendonça afetuoso, romântico, amigo exemplar. Deixou uma meia dúzia de contos excelentes, obrigatórios nas antologias da época, com destaque para Luís da Serra, Coração de Caipira e O Hóspede, que José Veríssimo comparou a uma obra de Maupassant.
O Marido da Adúltera, seu único romance, saiu em 1882. Após a Proclamação da República, voltou ao gênero, com O Estouvado, do qual foram redigidos apenas oito capítulos e o início do nono. O subtítulo indica que abordaria Cenas dos Primeiros Anos da República.
Como o título explicita, O Marido da Adúltera explora um dos motivos mais debatidos e apaixonantes da época, presente na maioria dos romances da segunda metade do século XIX: o adultério feminino.
Era uma obsessão, a que ninguém escapava. Nas Memórias Póstumas de Brás Cubas, publicadas no ano anterior, Machado de Assis concedia uma larga parte do entrecho às relações adúlteras da astuta Virgília com o cínico Brás Cubas.
O que distingue o romance de Lúcio de Mendonça da maioria das obras que tratam da infidelidade matrimonial feminina é a defesa de uma tese original para um problema velho como o mundo e que, durante séculos, só entrou na ficção como motivo de galhofa.

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