A “comunicação” assumiu um lugar tão central nas nossas sociedades que se tornou corrente a afirmação de que vivemos em plena “sociedade da comunicação”; uma tal expressão tornou-se mesmo tema de Congressos dos cientistas da comunicação. Porque é que a nossa sociedade se tornou uma sociedade de tal forma “conquistada pela comunicação” que, quer individual quer coletivamente, nos encontramos submetidos a uma verdadeira “obrigação de comunicação”?
Uma primeira resposta, mais evidente, a esta pergunta – uma resposta que todos os dias, a todas as horas, nos entra, literalmente, pelos olhos e ouvidos adentro – é a de que as chamadas “tecnologias da informação e comunicação” assumiram, nas nossas sociedades, um papel tão decisivo que é praticamente impossível passar (e pensar) sem elas.
Uma segunda resposta, também ela mais ou menos evidente, é a de que a natureza “democrática” das nossas sociedades, em que os processos de decisão assentam cada vez mais, pelo menos idealmente, na discussão entre os participantes, na troca de informações, na própria mediatização, exige o alargamento constante das “trocas comunicativas”.
Uma terceira resposta, menos evidente mas quiçá mais essencial, é a de que, como defendem autores como Jürgen Habermas e Niklas Luhmann, ainda que a partir de pressupostos diferentes, a sociedade é, basicamente, comunicação. De fato, como avisa Habermas logo nas primeiras páginas da sua Teoria do Agir Comunicacional, esta não é uma meta-teoria, antes “permanece, no seu núcleo, uma teoria da sociedade”.
Por seu lado, Luhmann afirma, nos seus Sistemas Sociais, que “[o] processo elementar que constitui o social como realidade especial é um processo comunicacional”.
Tendo em conta esta perspectiva de Luhmann e Habermas, afirmações do gênero de teóricos da “comunicação de massa” como Melvin DeFleur e Sandra Ball-Rokeach, segundo a qual “a natureza dos processos de comunicação de uma sociedade está relacionada, de forma significativa, virtualmente com todos os aspectos das vidas quotidianas das suas pessoas”, só pecam por não serem suficientemente radicais – na medida em que acabam por nos remeter para a primeira das respostas que acabámos de mencionar.

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