A despeito do que ouvimos nos telejornais e de muitas autoridades , a grande história de nossa era é que estamos testemunhando o maior aumento nos padrões de vida global de que já se teve notícia.
Pobreza, desnutrição, analfabetismo, trabalho infantil e mortalidade neonatal decrescem mais rapidamente que em qualquer outro período da história humana. Em relação ao século passado, a expectativa de vida no nascimento aumentou duas vezes mais do que nos 200 mil anos anteriores.
O risco de que um indivíduo seja exposto à guerra, submetido à ditadura ou morra em um desastre natural é o menor de todos os tempos. Uma criança nascida hoje tem mais chance de chegar à aposentadoria que seus antepassados tinham de completar 5 anos de idade.
Guerras, crimes, desastres e pobreza são dolorosamente reais e, durante a última década, a mídia global nos tornou conscientes deles de uma nova maneira — ao vivo, 24 horas por dia, todos os dias —, mas, apesar dessa ubiquidade, esses problemas sempre existiram, embora parcialmente ocultos. Hoje em dia, a real diferença é que estão em rápido declínio. O que vemos agora são exceções onde antes eram a regra.
Esse progresso se iniciou com o iluminismo intelectual dos séculos XVII e XVIII, quando começamos a examinar o mundo com ferramentas empíricas, em vez de nos contentarmos com autoridade, tradição e superstição. Seu corolário político, o liberalismo clássico, começou a libertar as pessoas das correntes da hereditariedade, do autoritarismo e da servidão.
Seguiu-se logo depois a Revolução Industrial do século XIX, durante a qual o poder industrial à nossa disposição se multiplicou e começamos a vencer a pobreza e a fome. Essas revoluções sucessivas foram suficientes para libertar grande parte da humanidade das difíceis condições em que sempre vivera. Com a globalização do fim do século XX, quando essas tecnologias e liberdades começaram a se espalhar para o restante do mundo, isso se repetiu em escala mais ampla e em maior velocidade que nunca.

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