Ubirajara Rancan De Azevedo Marques – A Escola Francesa De Historiografia Da Filosofia
O autor procura reconstituir os antecedentes do método estrutural em história da filosofia. Trata-se de trabalho de história da metodologia em história da filosofia, que possibilita compreender a formação da cultura filosófica na Universidade paulista.
0 trabalho do amigo Bira que aqui apresentamos e fruto da reelaboração de sua tese de doutorado, defendida na Universidade de São Paulo em 11 de novembro de 1996, mas também de sua colaboração no quinto e ultimo volume de nossa Storia delle storie generali de Ila filosofia (História das Histórias Gerais Da filosofia), dedicado a segunda metade do século XIX.
Resultado de profícuos periódos de estudo em Paris e na Itália, o autor reconstruiu com finura interpretativa, apoiada em vasta e pontual documentação, os nós centrais de um percurso histórico e metodológico que, no arco de um século, levou da discutida e inflacionada historiografia de Victor Cousin a afirmação – com Lachelier, Boutroux, Delbos – da figurado historien-philosophe, que depois faria sobressair a historiografia francesa do século XX por meio de estudiosos como Robin, Brehier,
Gouhier, Goldschmidt, Gueroult e seus estudantes e sucessores.
Complexa e quase paradoxal é a origem dessa “escola francesa” de história da filosofia: se o seu nascimento é costumeiramente reconduzido aos estudos de Boutroux na Alemanha e ao “giro” que Lachelier ( estamos nos anos 70 do século XIX) imprimiu ao estudo dos clássicos e em particular de Kant, com a consequente rejeição do ecletismo cousiniano fundado sobre uma filosofia retórica e sobre o nexo entre psicologia e história da filosofia, não se pode negar que a herança de Cousin tenha incidido, mais do que se quereria admitir, sobre o dispositivo espiritualista-consciencial do ”fazer filosofia” e da “oficialização” do ensino filosófico que, agora, já há quase dois séculos, caracteriza a organizar;ao escolar francesa.
Falar do historien-philosophe significa referir-se a uma síntese rigorosa de competências, mas significa também repropor a problematicidade da relação entre a filosofia e sua história: uma problematicidade constitutiva do “fazer história da filosofia” e da qual eram bem conscientes os historiógrafos do século XVIII e dos primeiros anos do século XIX, muito antes de Hegel escrever a densa Einleitung as suas Lições de história da filosofia.

 

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