Paul Ricoeur – Ética E Moral

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Nada há, realmente, na etimologia ou na história do uso dos termos que imponha a distinção entre ética e moral. Um dos termos vem do grego, o outro do latim e ambos reenviam à ideia de costumes (ethos, mores); no entanto, podemos encontrar um traço distintivo entre eles, consoante acentuemos o que é ‘considerado bom’ ou o que ‘se impõe como obrigatório’. É por convenção que reservarei o termo ética para o objectivo de uma vida realizada sob o signo das acções consideradas boas, e o termo moral para o lado obrigatório, marcado pelas normas, pelas obrigações, pelas interdições, caracterizadas simultaneamente por uma exigência de universalidade e por um efeito de coacção. Facilmente reconheceremos na distinção entre o objectivo de uma vida boa e a obediência às normas, a oposição entre duas heranças; a herança aristotélica, onde a ética se caracteriza pela sua perspectiva teleológica (de telos – fim); e a herança kantiana, onde a moral é definida pelo carácter de obrigação da norma, logo numa perspectiva deontológica (deontológico significa precisamente dever).

Paul Ricoeur – Tempo E Narrativa (Tomo 2)

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pau

A configuração do tempo na narrativa de ficção: a questão filosófica que o trabalho de composição narrativa coloca é a das relações e das tensões entre o tempo da narrativa e o da vida e da ação efetiva. Várias disciplinas são convocadas no tribunal desse grande debate, principalmente a fenomenologia do tempo, a historiografia e a teoria da narrativa de ficção. Tempo e narrativa 2 é consagrado a pôr a prova a teoria da narratividade exposta na primeira parte de Tempo e Narrativa, não mais no âmbito da narrativa histórica, mas, dessa vez, no âmbito da narrativa de ficção.

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