Graça Aranha (Org.) – Correspondência Entre Machado De Assis E Joaquim Nabuco

Joaquim Nabuco tinha quinze anos, quando pela primeira vez escreveu a Machado de Assis. A sua adolescência raiava como a aurora de uma grande vida. Este menino de colégio, que publicava versos assinalados pelos críticos, pertencia ao patriciado brasileiro em uma época em que a nossa comunhão social tinha a feição aristocrática de um país de senhores e de escravos. Continuar lendo

Joaquim Nabuco – O Abolicionismo

Escrito e editado na Inglaterra em 1883, O Abolicionismo é a mais requintada peça retórica da propaganda antiescravagista brasileira. Visava, em um momento em que Nabuco estava afastado do Legislativo e do país, a persuadir seus contemporâneos acerca da importância política, estratégica e humanista do Brasil em abolir a escravidão. Para além de simples peça retórica ou de propaganda, o livro ainda é um importante estudo histórico e sociológico da escravidão no país, sendo considerado obra fundadora e “formadora” dos estudos do Brasil moderno. A prosa de Nabuco versificada e entoada nos traz ainda a nostalgia do escravo misturado a um dos mais lúcidos pensamentos críticos do Brasil moderno.

Joaquim Nabuco – Camões E Os Lusiadas

Completam-se em 1872 os três séculos passados sobre a fronte da pyramide do espirito humano e da gloria portugueza chamada — Os Lusíadas. Qualquer, porém, que seja o tempo decorrido, a obra cada dia parece mais nova, e os louros do poeta são mais verdes; á admiração das gerações passadas junta-se a das gerações nascentes, e é dessa constante e universal homenagem que se faz a fama do cantor e do poema. Estas notas, que vão publicadas em forma e com apparencia de livro, são verdadeiras impressões pessoaes. Acontece com um poema, como os Lusíadas, o mesmo que com a natureza: cada um comprehende-a, gosa delia, ama-a segundo seu temperamento, e duas pessoas postas cm frente de um bello espectáculo do firmamento sentem differentes emoções.
Ha ainda mais uma analogia entre essas duas grandes obras: a creação que é o poema de Deus, e o poema que é a creação do génio. Quem ama verdadeiramente a natureza pôde percorrer muitas vezes o mesmo sitio, cada dia descobre uma nova belleza. A principio vê-se apenas a magnificência do panorama, depois destaca-se o horisonte, em seguida o solo, até que a variedade das maravilhas torna-se infinita.