Ana Teresa Pereira – Karen

Ana Teresa Pereira – Karen
Romance português vencedor do Prêmio Oceanos 2017. Uma engenhosa trama sobre personalidade, memória e casamento de uma das mais notáveis escritoras portuguesas contemporâneas.
Uma mulher prestes a fazer 25 anos acorda numa cama que não reconhece, numa casa que não lhe parece íntima, entre pessoas que a “”conhecem”” mas afirmam entender sua confusão momentânea.
Chama-se – ou pelo menos é como a chamam – Karen. Ela é casada com um escritor de família arruinada, está com alguns ferimentos porque, assim lhe dizem, arriscou-se para o outro lado escorregadio e pedregoso de uma cascata. Seu presente, assim com o próprio passado, parecem fruto de uma alucinação.
Ana Teresa Pereira constrói um enredo de profundo clima psicológico. Apesar da escrita fina, comandada por tons de lirismo e densidade imagética, a força motriz se estabelece na dimensão subjetiva, num espaço cuja plasticidade se compõe da matéria dos sonhos, da textura porosa dos devaneios.
A narrativa alimenta uma atmosfera de crescente mistério que vai tomando conta do relato, potencializada pela interação da protagonista com imagens que sugestionam falta de transparência ou de entendimento, a exemplo de nevoeiros, poços e da própria cortina d’água da cascata.
Tal efeito traz uma aura da literatura produzida no século XIX, ainda que alguns elementos mostrem que a trama se passe nos tempos atuais. Não por menos, o norte-americano Henry James é mencionado e sua obra-prima, A volta do parafuso, representa uma influência direta para a mecânica da história.
Karen, desse modo, pode ser considerado um livro de fantasma, o fantasma que uma mulher se torna quando precisa reaprender quem de fato é. Como mesmo diz, a certa altura: “Lembro-me de ter lido em tempos que cada um de nós é realmente duas pessoas, e quando uma está adormecida num lugar, a outra vive uma existência diferente”.

Nascida no Funchal, Portugal, Ana Teresa Pereira tem mais de duas dezenas de livros lançados. Sua obra – contos e romances – ostenta um profundo clima psicológico, referências a Henry James e ao cinema dos anos 1940-50. É a primeira mulher a receber o prêmio principal do Oceanos, o mais importante da literatura de língua portuguesa. Karen é seu primeiro livro no Brasil.

 

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