A tessitura textual, deste livro, intitulado Freud & Jung: do complexo de Édipo à alma naturalmente religiosa apresenta uma investigação a respeito das principais ideias sobre o fenômeno religioso apresentadas por estes dois grandes teóricos da psicologia profunda. Como cita o teólogo Knitter: “Toda “teoria”, quer seja ela uma visão filosófica de mundo ou um sistema científico tem um ponto de partida determinado em vez de outro”.
Por isso, os constructos teóricos que vamos percorrer fazem parte da História da Psicologia, ciência nova que surge em meados do século XIX, na tentativa de compreender as evidências de uma abrangente crise da subjetividade privada, bem como também de se tornar uma ciência independente. Seu ponto de partida é, então, perpassado por aspectos ambíguos a respeito do seu próprio objeto de estudo: a psique, etimologicamente traduzida como alma e/ou mente. Seria esta passível de uma observação científica? Será o empirismo o único método de validade científica? Quais são os subsídios que poderão fornecer uma compreensão do seu objeto de estudo: o homem em relação (Eu-Outro-Mundo)? Como se tornar uma ciência independente se é interpelada por temas de outras ciências? Comte citado por Figueiredo apresenta como resposta a última questão que: O principal empecilho para a psicologia seria seu objeto a “psique”, entendida como “mente”, não se apresenta como um objeto observável, não se enquadrando, por isto, nas exigências do positivismo.
Porém, observa-se que quando a psicologia se posiciona fora dessa técnica do pensar, ela recebe estreitas críticas. Como, então analisar as manifestações do homem relacional sem torná-lo algo estanque? Tal argumentação nos faz inferir que a busca pela compreensão do dinamismo psíquico foi e continua sendo a questão central da psicologia, porém, a teia relacional entre mundo e subjetividade vai se constituindo em diversas concepções que dificultam seu status de ciência no modelo vigente. Como afirma Jung em seu livro A natureza da psique a Psicologia não encontrou um ponto de Arquimedes para se desenvolver como a Física, pois: “A psique, pelo contrário, observa-se a si própria e só pode traduzir o psíquico em outro psíquico”.

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