Sergio Miceli – Sonhos Da Periferia
O modernismo argentino é tão rico quanto o brasileiro, mas segue injustamente desconhecido no Brasil. Sonhos Da Periferia contribui com brilhantismo para alterar esse cenário.
O modernismo literário brasileiro costuma ser medido em relação à Europa e aos EUA.
Mas o que acontece quando olhamos para nossos vizinhos, os argentinos? É essa a pergunta que o sociólogo Sergio Miceli vem responder em Sonhos Da Periferia.
A revista SUR, criada em 1931 e um dos focos da análise de Sonhos Da Periferia, foi um grande emblema da maturidade de um campo de produção cultural subsidiado por patronos da elite.
Sonhos Da Periferia também aborda as trajetórias de Alfonsina Storni e Horacio Quiroga. Rechaçados pelo grupo de Borges, com o passar dos anos ganharam status de escritores singulares.
Miceli mostra como os projetos bem-sucedidos de história da literatura argentina lhes concederam espaço e tratamento crítico condigno.
A montagem de Sonhos Da Periferia contemplou a passagem entre as décadas de 1920 e de 1930, a transição entre o estouro da vanguarda martinfierrista e a decantação da reforma literária, cujos propulsores foram acolhidos pelo mecenato conservador.
O sumário inclui meu primeiro escorço comparativo das vanguardas brasileira e argentina, inédito em português, o estudo da revista SUR, desde a criação até o final da Segunda Guerra Mundial, e o artigo a respeito dos escritores Alfonsina Storni e Horacio Quiroga, outsiders pelo prisma dos consagrados sob a tutela de Borges.
O exercício comparatista divulgado posteriormente sofreu ajustes que ampliaram o escopo da análise,4 mas o ensejo de publicá-lo se justifica pelo destaque conferido de saída ao papel do mecenato privado na conformação da inteligência argentina.
Desde o começo da investida sobre os letrados argentinos, por volta de 2001, um traço recorrente sobressaía como aquele que dava liga à vida intelectual no período em questão: eram as iniciativas empreendidas por famílias e figurões do patriciado ou por magnatas da imprensa no campo de produção cultural.
O contraste era flagrante com o centralismo da intervenção estatal no caso brasileiro.

 

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