Robert Louis Stevenson – O Ladrão De Cadáveres
Conto clássico de Robert Louis Stevenson no qual, inspirado em eventos bizarros ocorridos no século XIX no Reino Unido, dois jovens estudantes de medicina se veem envolvidos com atividades ilegais que o levam a flertar com o macabro.
A história inspirou o filme “O Túmulo Vazio”, de 1945, estrelado por Boris Karloff.
Todas as noites do ano, nós quatro nos sentávamos juntos na pequena sala de estar do George, uma estalagem em Debenham: o agente funerário, o proprietário, Fettes e eu.
Às vezes havia outras pessoas, mas, não importava o quanto ventasse, chovesse, nevasse ou geasse, nós quatro sempre estávamos lá, cada um instalado em sua poltrona. Fettes era um velho bêbado escocês, homem de inegável instrução e também de algumas posses, já que vivia na ociosidade.
Chegara a Debenham anos antes, ainda jovem, e acabou adotado como cidadão do lugar meramente por ter ficado por lá. Sua capa de chamalote azul era uma antiguidade local, assim como a agulha na torre da igreja.
Seu lugar na sala de estar do George, sua ausência da igreja e seus antigos e vergonhosos vícios de beberrão eram todos bastante conhecidos em Debenham.
Era de opiniões vagamente radicais e de certo ceticismo fugidio, que vez por outra declarava e enfatizava com batidas vacilantes na mesa. Fettes tomava rum – invariavelmente cinco copos por noite – e, na maior parte do tempo de nossos encontros noturnos no George, sentava-se, copo na mão direita, numa embriaguez melancólica.
Nós o chamávamos de Doutor, pois a ele eram atribuídos alguns conhecimentos especiais de medicina, e porque sabia-se que, em caso de necessidade, seria capaz de tratar uma fratura ou aliviar uma luxação.
Além desses insignificantes pormenores, não tínhamos informação sobre seu caráter ou sobre seus antecedentes.
Numa noite escura de inverno − já passava das nove horas quando o dono do George juntou-se a nós −, havia no estabelecimento um homem adoentado, um grande proprietário da região que sofrera um ataque apoplético quando se dirigia ao Parlamento; e por esse motivo o ainda mais ilustre médico do já tão ilustre cavalheiro recebera uma mensagem telegrafada para que comparecesse junto a seu leito.

 

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