Caprichos históricos ocasionam, por vezes, deslocamentos na recepção de autores sobremaneira importantes; esse é o caso, notadamente, da recepção do pensamento de Ernst Bloch no Brasil. Durante muitos anos o que se teve, em termos de tradução acessível, foi apenas o Thomas Münzer. Quem se interessava pelo autor e temas correlatos podia acessar as obras de pesquisadores e estudiosos de grande calibre, como a professora Suzana Albornoz, notável pioneira no assunto; todavia, a base textual mais ampla, em vernáculo, faltou até a excelente tradução de O princípio Esperança, em 2006.
Desde então, porém, como era de se esperar, multiplicam-se os interessados no assunto; Bloch sempre foi e permanece fascinante. Em tempos que parecem desejar uma “utopia” que simbolize o desejo opaco de “dispensar todas as utopias”, o conceito blochiano central de “utopias concretas”, sua genealogia e suas derivações, se apresenta como um oásis intelectual em certos campos do pensamento. Essa é a razão imediata para as novas gerações assumirem também como sua a tarefa de corrigir a injustiça histórica e trazer o pensamento de Bloch, no Brasil, à centralidade da agenda de interesses filosóficos – algo que se concretiza crescentemente.
Nessa percepção, e na busca de ainda maior divulgação da obra e o pensamento de Ernst Bloch no âmbito nacional, encetamos a publicação de dois livros sobre Bloch. Estes vêm somar-se às obras já consagradas no Brasil de Suzana Albornoz, Carlos Jordão, Pierre Furter e Arno Münster, entre outros, no esforço de ampliar o debate sobre este importante filósofo contemporâneo.
Outro objetivo destes dois volumes é tornar conhecidos os pesquisadores e pesquisadores atuais dedicados ao pensamento de Bloch.
Os textos que compõem os capítulos desse primeiro livro tratam de partes específicas do pensamento de Bloch. Assim, certos de que os mesmos contribuirão para a divulgação e aprofundamento do pensamento de Bloch no Brasil.

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