Ricardo Abramovay, Juliana Simões Speranza & Cécile Petitgand – Lixo Zero: Gestão De Resíduos Sólidos Para Uma Sociedade Mais Próspera

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Este estudo procura responder a duas perguntas centrais. A primeira consiste em saber a quem cabem os custos decorrentes da gestão dos resíduos sólidos. Eliminar os lixões, valorizar o trabalho dos catadores e, sobretudo, liberar o potencial de geração de riquezas no que hoje é simplesmente descartado supõem uma cadeia que vai da concepção do produto, sua produção e seu uso à coleta seletiva e ao reaproveitamento do que dele subsiste após o consumo. Os mecanismos espontâneos de mercado são incapazes de sinalizar aos agentes econômicos os comportamentos que podem transformar o lixo em base técnica para a formação de nova riqueza. Isso requer um arcabouço legislativo e operacional cujo ponto de partida é a definição de quem arca com os custos de implantação e funcionamento de sistemas voltados tanto a reduzir o uso de materiais como a valorizar o que resulta do consumo. Faz parte desse quadro, é claro, o esforço para que o serviço prestado à sociedade pelos catadores de materiais recicláveis seja reconhecido e para que sua atividade adquira os traços fundamentais do que as organizações multilaterais de desenvolvimento chamam de trabalho decente. Da mesma forma é fundamental o estudo das possibilidades concretas de valorização daquilo que hoje é tratado como lixo.

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