O interesse em estimar a riqueza da fl ora mundial começou em meados do século XVIII, quando Linnaeus (1753) previu que, no planeta, haveria por volta de 10 mil espécies de plantas. Sem dúvida ele ficaria surpreso se soubesse que, 250 anos mais tarde, ainda há muitas sendo descobertas e que mais de 2.600 espécies novas foram descritas em 2009. Também ficaria intrigado e talvez desapontado ao descobrir que, apesar de ter legado uma base sólida de conhecimento da flora, publicando cerca de 6.000 binômios, não existe ainda uma lista completa das espécies conhecidas para a ciência.
A necessidade de obter uma lista foi reconhecida há muito tempo por aqueles que estudam a diversidade de plantas. Devido à falta de informações sólidas e às dificuldades históricas de compilação, as estimativas sobre o número de espécies de fungos e plantas variaram muito até o início do século XXI, tanto no que se refere às espécies já publicadas como também às estimativas totais (espécies descritas somadas às espécies por descrever). Entre as tentativas contemporâneas de calcular a diversidade mundial, principalmente nos trópicos, destaca-se o trabalho de Prance, que estimou cerca de 150.000 espécies de plantas e fungos para a América tropical. Posteriormente, Wilson produziu e editou um trabalho clássico, no qual números sobre a diversidade biológica mundial foram compilados e as discussões sobre as agressões humanas à biodiversidade ganharam mais corpo fora do meio acadêmico. No final da década de 1980, a necessidade de priorizar áreas para conservação levou à criação do conceito de hotspots, que define regiões com alta riqueza em espécies e endemismos, sujeitas a um alto grau de ameaça. Na mesma década, considerando que um número pequeno de países, principalmente aqueles tropicais, concentra uma grande proporção da biodiversidade mundial, foi criado o conceito de “país megadiverso”, em que o Brasil, a Colômbia, o México, a República Democrática do Congo (antigo Zaire), Madagascar e a Indonésia foram os primeiros expoentes. Esse conceito vem promovendo a conservação dentro das diferentes realidades de cada governo e 17 países são considerados megadiversos.

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