Homo Academicus trata do sistema universitário francês do ponto de vista do poder simbólico que possui e da violência simbólica que exerce.
O volume se compõe dos capítulos “Um „livro pra queimar‟?”; “O conflito das faculdades”; “Espécies de capital e formas de poder”; “ Defesa do corpo e ruptura dos equilíbrios” e “O momento crítico”. Além destes cinco capítulos que correspondem ao núcleo da obra, são apresentadas quase 40 páginas de anexos e ainda o Posfácio intitulado “Vinte anos depois” datado de janeiro de 1987 – o título faz claramente referência à ”crise de maio de 1968”.
O campo para Bourdieu é local de dominação e conflito; nesta obra, ele aborda o campo universitário francês, retratando os espaços de dominação e conflito do qual ele mesmo faz parte e analisando seu próprio campo de atuação – interessante lembrar que, segundo o próprio Bourdieu, os campos devem ser analisados pelos seus pares, pois isso gera autonomia e legitimidade ao campo. Por outro lado, salienta que aquele que faz a crítica ao ambiente imediato “deve esperar os tormentos da „perseguição subjetiva‟”. Ele trata de esclarecer as dificuldades quando se toma como objeto um mundo social no qual se “está preso”, apresentando o “desafio que representa o estudo de um mundo ao qual se está ligado”. Desenvolve um discurso acerca dos agentes que “traem um segredo” dentro do grupo, no qual os mesmos que saúdam estes agentes, quando pertencentes a outros grupos, lançam suspeitas quando se trata do seu grupo – apresentando uma espécie de hipocrisia científica.
“Conhecimento erudito” e “conhecimento comum” são introduzidos – na obra – para sustentar que o conhecimento sociológico é suscetível de reducionismo interpretativo, salientando os riscos de mal entendidos na transmissão do discurso científico sobre o mundo social. Trata da posição do objeto inicial na articulação dos espaços sociais e, da mesma maneira, da posição do próprio pesquisador que participa desses diferentes espaços, com a “clareza e cegueira associadas”.

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