Paki Venegas Franco & Julia Pérez Cervera – Manual Para Uso Não Sexista Da Linguagem: O Que Bem Se Diz… Bem Se Entende
Uma das formas mais sutis de transmitir a discriminação entre mulheres e homens é através da língua, pois esta nada mais é que o reflexo de valores, do pensamento, da sociedade que a cria e utiliza.
Nada do que dizemos em cada momento de nossa vida é neutro: todas as palavras têm uma leitura de gênero.
Assim, a língua não só reflete, mas também transmite e reforça os estereótipos e papéis considerados adequados para mulheres e homens em uma sociedade.
Por isso, a única forma de mudar uma linguagem sexista, excludente e discriminatória, é explicar qual a base ideológica em que ela se sustenta, assim como oferecer alternativas concretas e viáveis de mudança.
Na atualidade não existe qualquer sociedade no mundo onde mulheres e homens recebam um tratamento equitativo, pois se constata uma discriminação generalizada para elas em todos os âmbitos da sociedade.
Essa discriminação sustentada unicamente no fato de ter nascido com um determinado sexo (mulher) atravessa categorias sociais como o nível sócio-econômico, a idade ou a etnia à que se pertença e se transmite através de formas mais ou menos sutis que impregnam nossa vida.
Pensemos naquilo que tenta transmitir frases cotidianas como “ser velha é o último”, “os filhos são os que as mães fizeram deles”, “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, “mulher que muito aprende, não tem marido que a aguente”.
Existe um uso sexista da língua na expressão oral e escrita (nas conversações informais e nos documentos oficiais) que transmite e reforça as relações assimétricas, hierárquicas e não equitativas que se dão entre os sexos em cada sociedade e que é utilizado em todos os seus âmbitos.
Dentro deles queremos destacar o administrativo, uma vez que não é uma prática habitual contemplar e incluir em seus documentos um uso adequado da linguagem.
Basta ler alguns documentos ou escutar as mensagens telefônicas das repartições públicas para poder detectar que se continua usando o masculino como linguagem universal e neutra.
Nega-se a feminização da língua e ao fazê-lo estão tornando invisíveis as mulheres e rechaçando as mudanças sociais e culturais que estão ocorrendo na sociedade.

 

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