Norman R. Madarasz & André Luiz Costa (Orgs.) – Deleuze-Guattari: A Escrita E A Literatura Na Imanência Da Velocidade
Desde a obra de Michel de Montaigne, ou ainda de Pedro Abelardo e Heloisa de Argenteuil, a filosofia francesa nunca ocorreu longe de um entrelaçamento com a escrita literária.
Poucos são os grandes filósofos franceses sem obra literária que se junte às explorações do território conceitual.
Nunca houve até os tempos atuais manifestação por filósofos franceses sobre uma pretensa necessidade de romper com este legado, e é possível verificar que numerosos cientistas franceses sonham, senão inventam, pela literatura.
Decerto, ao se entrelaçar durante séculos com a vanguarda da produção literária do país, a filosofia francesa trouxe o ato próprio da escrita ao domínio do conceito apenas na segunda parte do século vinte.
Diante deste panorama, nem é preciso lembrar como a ficção serve bem ao estudo da racionalidade, ou ainda como os modelos formais experimentados pelos grandes autores franceses propõem frequentemente outros critérios de verificabilidade que os da ciência experimental e formal, mas não menos rigorosos.
Daí uma pergunta: seria realmente possível a filosofia defender modos de superar a temporalidade existencial, os formalismos da análise estrutural acerca da criação de teorias e a radicalidade das formas organizacionais de política revolucionária sem que a literatura tenha já configurado a coerência cartográfica dos seus planos de constituição pragmática?
Gilles Deleuze e Félix Guattari estão entre os filósofos que mais pensaram a escrita. Eles também estão entre aqueles que mais experimentaram com a escrita teórica.
No primeiro período da sua produção filosófica, em que se desvendavam os conceitos de diferença e de simulacro, Deleuze literalmente tecia a expressão de novos domínios de pensar a partir da obra literária de Marcel Proust, Leopold von Sacher Masoch, Lewis Carroll, F. Scott Fitzgerald e Antonin Artaud, entre outros.

 

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