Nietzsche: Das Forças Cósmicas Aos Valores Humanos, constitui-se num referencial para aqueles que se interessam pela filosofia nietzschiana. Reconstrói, de forma precisa e rigorosa, um estudo sistemático do texto de Nietzsche, ao elaborar uma visão do conjunto da obra, refazendo a trama dos conceitos nela presente e reconstituindo o percurso intelectual do filósofo.
Conduzido pelo fio de uma escrita elegante e equilibrada, o leitor de Nietzsche: das forças cósmicas aos valores humanos tem, enfim, acesso a uma excelente elucidação de um universo filosófico consequente, que mantém, ainda hoje, vivos e plausíveis seus desafios à cultura ocidental.
Muito se tem escrito acerca de Nietzsche. Nesses cem anos que nos separam do momento em que interrompeu a produção intelectual, surgiram trabalhos de toda sorte a seu respeito. Em nossos dias, porém, grande parte dos comentadores privilegia sobretudo a abordagem hermenêutica. E, ao adotar esse ponto de partida, opta por uma destas vias: a de Heidegger ou a de Foucault.
No entender de Heidegger, “a metafísica é o conhecimento fundamental do ente enquanto tal e em totalidade. Não se colocando a pergunta pelo Ser, ela se encerra nos parâmetros de uma problemática exclusiva do ser do ente. É nesse espaço que Nietzsche desenvolve a reflexão filosófica.
Seu pensamento apresenta cinco termos fundamentais: a vontade de potência, o niilismo, o eterno retorno do mesmo, o além-do-homem e a justiça; através de cada um deles, a metafísica revela-se sob certo aspecto, numa relação determinada. A vontade de potência designa o ser do ente enquanto tal, sua essência; o niilismo diz respeito à história da verdade do ente assim determinado; o eterno retorno do mesmo exprime a maneira pela qual o ente é em totalidade, sua existência; o além-do-homem caracteriza a humanidade requerida por essa totalidade; a justiça constitui a essência da verdade do ente enquanto vontade de potência.
A partir daí, Heidegger empenha-se em mostrar de que modo o pensamento nietzschiano fica enredado nas teias da metafísica. Procurando impor a própria reflexão como um movimento antimetafísico, Nietzsche opera tão-somente a inversão do platonismo. E, como se vê no ensaio Sobre o humanismo, “a inversão de uma proposição metafísica permanece uma proposição metafísica.

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