Fragmentos, Opiniões E Miscelânea – A imensidão de possibilidades de um país-continente por um lado – minério de ferro, terras agricultáveis, clima favorável, e (quem sabe) petróleo. Por outro lado, jogando contra, os “jecas”, bacharéis, funcionários públicos amofinados, poetas saudosistas e intelectuais de mentalidade colonial.
Este é o cenário que tanto exaspera Monteiro Lobato, e que ganha contornos vivazes em seu diário, suas críticas de jornal, observações do cotidiano e relatos de viagem.
Lobato era um dínamo. Queria romper a todo custo com a estagnação de um Brasil que dava seus primeiros e tímidos sinais de modernidade nos grandes centros urbanos. Queria, sim, muito mais para o País. Queria o entusiasmo pelo progresso e o protagonismo mundial que vira e amara na América do Norte.
Para aqueles que só conhecem sua literatura infantil, o Lobato que escreve para adultos é um observador curioso, dono de uma prosa rápida, agradável, cheia de ironia e mesmo alguma maldade para com os adversários. Este é o autor que aparece inteiro em Fragmentos, Opiniões E Miscelânea, que traz 76 textos, organizados em três blocos.
Monteiro Lobato foi a última inteligência enciclopédica que tivemos no Brasil. Escrevia sobre tudo: de geologia à medicina, passando por política e economia. Inquieto, ele parecia ter uma opinião a expressar sobre qualquer assunto do momento. Além disso, tinha uma incrível capacidade de conseguir fazer com que qualquer assunto se tornasse simples de ser compreendido. Esse lado didático e polêmico que os fãs do autor poderão encontrar no livro Fragmentos, Opiniões E Miscelânea.
O livro é resultado de uma reorganização da obra de Lobato. Antes Fragmentos e Miscelânea integravam o volume Mundo da Lua. Opiniões fazia parte do volume Mister Slang e o Brasil. O objetivo de Lobato, ao organizar suas obras completas, era uniformizar o tamanho dos volumes. Mas, segundo a editora, isso criava um anacronismo, ao enfeixar textos de assuntos diferentes.

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