Fechando a tríade iniciada com O presidente negro e Mister Slang, este livro retoma um dos temas prediletos de Monteiro Lobato: como extrair as lições de desenvolvimento vinculado à racionalidade norte-americana para transformar o Brasil no país dos seus sonhos, com riqueza e distribuição de renda? Na tensão entre o enfoque do estrangeiro entusiasmado e o anglo-saxão objetivo e contido, constrói-se o texto à base de diálogos e comentários durante uma série de visitas dos dois personagens a cidades como Filadélfia e Detroit, berço da indústria automobilística de Henry Ford. À moda dos gregos da antiguidade, que só filosofavam andando, o protagonista faz com seu interlocutor, a quem conhecera quando ambos moravam no Rio de Janeiro, longos passeios. Neles, procuram interpretar e explicar as conquistas tecnológicas e científicas dos Estados Unidos, enquanto fazem comparações na busca de exemplos para solucionar os problemas brasileiros. Na verdade, Mister Slang representa o cerne de uma civilização que Monteiro Lobato queria transportar com urgência à sua pátria recém-saída da Revolução de 30, que a seu ver criava a ilusão de mudança trocando apenas o nome das ruas. “Revolver não conserta. O que conserta é criar, aumentar”, alega o escritor, um eterno crítico da burocracia e da ineficiência dos nossos governos.
Ao longo destas páginas, o leitor entra em contato com uma nação caminhando a passos rápidos e inexoráveis rumo à mecanização que, segundo Mister Slang, ao invés de prejudicar os trabalhadores, criaria outras fronteiras de atividades. “Resistir às correntes do tempo vale por inépcia supina”, afirma o inglês. “Apenas vejo no progresso uma lei natural”, diz ele, de certa forma prevendo que a América do Norte passaria, em breve, a ditar a agenda e o ritmo da economia mundial.
Em Nova York, o narrador extasia-se tanto com a complexa rede de metrô, no subsolo, como diante de prédios como o Chrysler Building, de desenho arquitetônico inédito, em “pleno viço de crescimento”. Ali, tudo é moderno, pujante. Do rádio ao cinema falado, da televisão ao aeroplano, das linhas da mass production aos arranha-céus cortando o horizonte cosmopolita, as descobertas propagam-se a uma velocidade estonteante.

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