Reflexões Sobre O Socialismo – O objetivo deste trabalho é mostrar o processo histórico das lutas dos trabalhadores, isto é, as lutas operárias condicionadas pelo tempo e lugar, oscilando entre a capacidade que têm de criar novas relações sociais igualitárias e sua deformação em relações desiguais, hierárquicas, quando os partidos ou aparelhos políticos substituem os trabalhadores na direção das suas lutas.
À medida que se desenvolve, a luta operária cria estruturas igualitárias de ação coletiva que entram em antagonismo direto com as relações sociais existentes na sociedade atual.
A classe trabalhadora cria os embriões do socialismo pela prática da ação direta contra o capitalismo, unificando decisão e planejamento e eliminando a divisão tradicional de trabalho entre os que pensam e os que fazem, entre os dirigentes e os dirigidos.
Essa é uma tendência que aparece nos momentos decisivos da luta dos trabalhadores: na Comuna de Paris (1871), na Revolução Russa de 1917, nas revoluções alemã e húngara de 1918, na Guerra Civil Espanhola (1936-1939), no Movimento de Maio de 1968 na Europa e na criação do sindicato Solidariedade na Polônia (1978); toma a forma de comissões, de fábrica (sovietes, conselhos), visando dirigir a vida econômica, política e social.
O sistema capitalista, ao mesmo tempo que submete os trabalhadores a uma hierarquia, ao trabalho disciplinado e à divisão de tarefas, unifica-os no interior das unidades de produção, nas linhas de montagem, emergindo o “trabalhador coletivo”. Em períodos de mudança social, esse trabalhador se auto-organiza pelos critérios da “democracia direta”, na elegibilidade e revogabilidade de seus representantes, todo o poder concentrado na assembleia geral.
A “democracia direta” acaba por ser a matriz de novas relações sociais, pois elimina os intermediários, quer sejam administradores tecnocratas na esfera econômica, quer sejam políticos profissionais na esfera política. Criam-se, assim, condições de eliminação do Estado que, a pretexto de “defender” a sociedade, oprime-a cada vez mais.
A “democracia direta” rompe o monopólio da informação, o sigilo deixa de ser a arma de poucos contra a maioria. A “libertação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores”, como definiam os fundadores da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), pois trabalhador não luta por delegação, luta por si próprio; caso contrário, há um arremedo de luta que, na realidade, é manipulação de minorias vanguardistas.

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