Maurício José Siewerdt – Uma Caixa De Pandora: Crítica À Expansão Do Ensino Superior Catarinense No Período 1960-2010
“Educação não é mercadoria”. Essa tem sido uma das principais bandeiras daqueles que vêm lutando insistentemente por uma educação pública, gratuita, laica e de qualidade.
Contudo, é preciso reconhecer que existe uma diferença entre aquilo que se almeja e as condições postas pela realidade.
Esta demonstra que, a despeito dos desejos em contrário, a educação se tornou, de fato, uma mercadoria, o que tem acarretado uma série de desdobramentos.
Como professor de uma universidade comunitária catarinense do sistema ACAFE (Associação Catarinense das Fundações Educacionais), Maurício Siewerdt viveu, durante anos, a experiência de “um sonho que virou pesadelo”, ou seja, trabalhar numa instituição cujas características não eram muito diferentes das de uma empresa capitalista, o que o levou a fazer algumas perguntas: Por que aquela universidade que adotou o modelo fundacional, ou seja, uma instituição civil sem fins lucrativos incorporava práticas similares às de uma empresa capitalista, principalmente no que tange às condições de trabalho e de salário dos professores?
Aquela era uma universidade pública ou privada? Seria possível que um professor tivesse autonomia numa universidade constituída naqueles moldes? Tal situação seria um caso isolado ou estaria ocorrendo em outras universidades do sistema ACAFE?
Insatisfeito e incomodado com as respostas que encontrava em seu cotidiano, Maurício Siewerdt transformou essas e outras perguntas em um problema de pesquisa e passou a fazer sua investigação, em sua tese de doutoramento, com o objetivo de encontrar respostas mais elaboradas e aprofundadas, que ele, agora, apresenta em Uma Caixa De Pandora.
Por causa do referencial teórico-político que adotou, Maurício Siewerdt fugiu de respostas superficiais às suas questões. Não lhe parecia que os problemas que ele identificava tinham uma causa de ordem moral, ou seja, um modelo perverso de gestão realizado por pessoas perversas, frias, calculistas e autoritárias em oposição a um modelo generoso de gestão que seria realizado por pessoas generosas, afetivas, compreensivas e democráticas.
Em geral, essa é a forma como aparece. O autor de Uma Caixa De Pandora buscou, então, penetrar nas profundezas do fenômeno que queria apreender até chegar às questões referentes à mercadoria e à lei do valor.

 

Camisa “Espere Eu Acabar Esse Capítulo!”

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