Tanto o tema da paternidade quanto o da masculinidade têm adquirido maior destaque na literatura científica brasileira dos últimos anos. A respeito das masculinidades, a partir de um rastreamento geral da literatura, é possível perceber que muitos dos estudos buscam compreender as angústias do homem contemporâneo, destacando o fato de que muitos valores atribuídos a eles passam a constituir suas subjetividades. No que se refere à paternidade, diversas pesquisas procuram entender a interação entre pais e filhos no ambiente familiar, compreender seus sentidos, práticas e configurações.
Neste artigo, apresentamos um estudo cujo interesse foi investigar o lugar e as implicações da relação pai-filho na construção da masculinidade dos sujeitos a serem pesquisados e os sentidos por eles atribuídos a essa relação. Aqui, “sentido” é entendido como “… uma relação determinada do sujeito – afetada pela língua – com a história … [e] determinado pelas posições ideológicas colocadas em jogo no processo sócio-histórico em que as palavras são produzidas”.
Procuramos centralizar a investigação em figuras masculinas e nos discursos sobre paternidade e masculinidade. No entanto, não desconsideramos a importância dos outros membros da família na construção das masculinidades dos sujeitos entrevistados. Acreditamos serem a mãe e, conforme a configuração da família, também os avós, figuras de grande relevância na vida dos filhos – na medida em que estes últimos, segundo Paniagua, trazem os mitos fundamentais do caráter familiar e, junto a esses mitos, os principais traços do modelo masculino tradicional. Assim, buscamos responder às seguintes questões: quais os sentidos que homens de diferentes gerações atribuem aos vínculos pai-filho? Quais as relações que estabelecem entre esses sentidos e a construção de suas masculinidades?
Refletindo sobre o percurso histórico dos estudos feministas e de gênero, é possível afirmar que houve, nas décadas de 1980 e 90, uma significativa intensificação de pesquisas relacionadas à questão das masculinidades. Esse aumento se deu, em grande parte, pela ação dos movimentos feministas e dos movimentos gays, que têm promovido diversas e importantes discussões e reivindicações. O tema, anteriormente pouco questionado na academia, passou a merecer reflexões, principalmente com o desenvolvimento dos estudos de gênero – refletindo as transformações ocorridas na sociedade a partir dos movimentos feministas.

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