Maria Celina D’Araujo, Celso Castro e Gláucio Ary Dillon Soares (Orgs.) – Os Anos De Chumbo: A Memória Militar Sobre A Repressão
Anos de chumbo é o nome dado ao período que vai da edição do AI-5, durante o governo de Costa e Silva, até o final do Governo Médici, considerado o mais violento de todo o regime militar.
Durante o ano de 1968 o movimento estudantil ganhou as ruas em protesto contra a ditadura militar. O ponto alto de suas manifestações, entretanto, ocorreu um dia antes do aniversário de 4 anos do Golpe de 1964.
Em uma manifestação no restaurante universitário do Calabouço, no Rio de Janeiro, um agente da Polícia Militar atirou contra o estudante secundarista Édson Luís de Lima Souto, causando grande comoção que culminou em passeatas pelas principais cidades do país.
No dia 1º de Abril, novamente estudantes saíram em protesto contra a morte do jovem nas ruas do Rio de Janeiro, manifestação duramente reprimida que também culminou em morte e prisões.
Não bastasse aos militares as agitações estudantis de protesto contra a ditadura que se instalara no país há quatro anos, os movimentos de luta armada também cresciam – através de assaltos a bancos e ações de guerrilha rural – e as manifestações dos trabalhadores contra o arrocho salarial tomaram grandes proporções, como as Greves de Contagem e de Osasco.
A Igreja Católica, apesar de expressiva ala favorável ao governo militar, possuía integrantes que progressivamente passaram a reprovar os métodos dos agentes que feriam os direitos humanos. A Igreja em Roma passava por um momento de renovação e retorno ao trabalho com as classes mais pobres.
Essa mudança foi entendida pelos militares como influência comunista que havia se infiltrado na Igreja e, com isso, diversos membros do clero foram também vítimas de torturas e prisões indevidas.
Mas foi um evento particular que retirou o AI-5 da gaveta e o colocou em prática. Após uma manifestação de reprovação quanto à invasão da Universidade de Brasília (UNB), no contexto dos protestos estudantis, feita pelo deputado Márcio Moreira Alves, os militares tentaram suspender a imunidade parlamentar do deputado, pedido negado corajosamente pelo Congresso Nacional em 12 de dezembro de 1968.
No dia seguinte, Costa e Silva editou o AI-5, dando plenos poderes ao Executivo para cassar direitos políticos e mandatos, além de suspender o direito a habeas corpus e decretar o recesso do Congresso.

 

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