Lúcio Álvaro Marques – A Lógica Da Necessidade: O Ensino De Rodrigo Homem No Colégio Do Maranhão (1720-1725)
Rodrigo Homem é um nome próprio, embora um tanto incomum. Enquanto expressão de um nome não revela praticamente nada sobre quem foi ou o que fez o sujeito que o portava.
Nem ao menos pode-se deduzir precisamente sua nacionalidade, porque um nome próprio não passa de um índice linguístico que, no presente caso, permite pensar em um indivíduo do sexo masculino, certamente lusófono.
Esse nome foi associado ao Colégio do Maranhão em um intervalo de tempo bastante diminuto. As informações são pouco precisas, pois sequer sabemos o que significava um colégio durante o período colonial, quanto menos o sabemos durante um quinquênio.
Todas as informações que recolhemos sobre esse nome próprio constituem uma biografia de cinco ou sete linhas, portanto, pouco esclarecedoras. Assim, afirmar que o motivo desta pesquisa são os escritos de Rodrigo Homem aumenta o grau de complexidade, porque eles pressupõem um escritor, isto é, um autor que os tenha assinado: uma pessoa que, em determinado momento, passou a expressar-se por meio de um discurso.
Quando, finalmente, encontram-se seus escritos, então o problema torna-se bem maior, porque surgem diante do observador tanto um autor quanto os escritos e, para completar, de natureza filosófica. O autor somente merece esse nome porque escreveu algo.
Reconhece-se facilmente Sócrates como fundador da filosofia ocidental, mas não como autor, porque a autoria exige a personalidade de alguém que responda por algum escrito: não por qualquer palavreado ou qualquer discurso, mas por um uso intencional da palavra.
O discurso filosófico não serve ao deleite estético nem pretende alcançar o estatuto de best-seller, nas condições comuns de produção. Isso parece algo esquecido pelos escritores filosóficos que se pretendem sérios.
O escrito filosófico não surge de uma inspiração poética nem profética, mas como resultado de trabalho de escola, que cumpre certa exigência de um modo de fazer, inerente ao ethos filosófico.
Se o patrono da filosofia ocidental não era dado às letras, seus seguidores, de Platão, Aristófanes e Xenofonte a toda a miríade de pósteros, parecem fascinados pela magia da escrita ou da mitologia branca, segundo a expressão de Derrida.
Essa magia parece justificada, porque não há outra conexão entre as ideias, as teorias e o mundo, a não ser pela palavra.

 

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