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Como a filosofia não pretende uma resposta cabal para cada discussão, contentamo-nos, se o fizemos, em colocar, do melhor modo possível, uma questão. A saber: para além do pensamento ingênuo (a recusa das mortes de Deus e do homem), do relativismo teórico (o pensamento e o mundo sem valores) e do retorno ao pensamento originário (o retorno aos mesmos deuses), há um lugar para o sujeito quem filosofa, ou seja, a filosofia ainda é uma tarefa exequível após a morte de Deus e do homem? A bela senhora que outrora consolou Boécio na noite derradeira, talvez não nos deixe derivar no irracionalismo, antes, estenda-nos a velha e jovial sabedoria na voz de Foucault: “Certamente, não se trata aí de afirmações, quanto muito de questões às quais não é possível responder, é preciso deixá-las em suspenso lá onde elas se colocam, sabendo apenas que a possibilidade de colocá-las abre, sem dúvida, para um pensamento futuro”.

Lúcio Álvaro Marques é doutorando em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Porto Alegre – RS, mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia em Belo Horizonte – MG, leciona Metafísica, Filosofia da Linguagem e Filosofia do Brasil na Faculdade Dom Luciano em Mariana – MG e na Faculdade Jesuíta em BH – MG. Participou da organização de Horizontes do pensar, publicado pela Editora Dom Viçoso de Mariana – MG (2002) e organizou (com José Carlos dos Santos) a obra Dizer o testemunho, publicada pela Editora Paulinas (2013).

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