Leonardo Figueiredo Costa & Ugo Barbosa De Mello (Orgs.) – Formação Em Organização Da Cultura No Brasil: Experiências E Reflexões
O livro mostra a importância de se qualificar profissionais para organizar o campo cultural, analisando o perfil dos cursos ofertados e estudantes que ingressam nessas carreiras, abordando a forma como esses profissionais são qualificados pelas universidades brasileiras, e problematizando o processo de formação em organização da cultura no país, a partir da criação de cursos pioneiros na área, em meados da década de 90.
A formação em cultura tem tradição recente no Brasil. Enquanto artes, ela se iniciou no século XIX com a vinda da família real para o Brasil, em 1808, fugindo das tropas de Napoleão.
Paradoxalmente, são artistas franceses, próximos a Napoleão, que anos depois estão à frente do ensino das belas artes. Da chamada “Missão Francesa”, nasceu a Academia Real de Belas Artes, no Rio de Janeiro, em 12 de agosto de 1816.
Na área de patrimônio, só existem iniciativas de formação no século XX, com as primeiras leis de patrimônio nos anos 1920 e, em especial, com o advento do Serviço, depois Instituto, do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, na década de 1930.
A universidade, instituição milenar, foi inaugurada tardiamente no Brasil. Ela surgiu em meados dos anos 1930. Ou seja, ainda não tem 100 anos de história no país. Essa universidade acolheu com atraso a formação voltada para a área específica da cultura.
Com exceção dos cursos de Letras, criados em 1933 e 1934, os outros campos culturais demoraram a ser oferecidos pelas universidades. A então Universidade da Bahia assumiu uma atitude pioneira ao criar escolas superiores de Dança, Música e Teatro nos anos 1950. Já o Cinema somente teve seus primeiros cursos no país nos anos 1960.
Se setores culturais potentes como artes e patrimônio – hoje mais presentes nos cursos das faculdades e universidades brasileiras – sofreram tal demora, a situação do ensino em outros registros da cultura aparece como dramática, quando não inexistente.
A formação na área da organização da cultura enquadra-se nesta circunstância. Somente em meados dos anos 1990, aparecem em cena os primeiros cursos nesse horizonte: as graduações em Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense e da Universidade Federal da Bahia.

 

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