Judith Butler – Corpos Em Aliança E A Política Das Ruas: Notas Para Uma Teoria Performativa De Assembleia
Um livro imprescindível para entender a força e o significado das manifestações como resistência ao sistema neoliberal.
Em Corpos Em Aliança E A Política Das Ruas, Judith Butler analisa a dinâmica das assembleias públicas no atual contexto econômico e político.
A partir da compreensão de que assembleias são formas plurais de ação performativa, a filósofa relaciona performance a ações orquestradas do corpo.
Baseando-se na noção de “ações coletivas” de Hannah Arendt e atualizando as afirmações dela sobre o papel do corpo na política, Butler postula que as reuniões corporificadas, presenciais ou não, implicam a ressignificação do espaço público político.
O corpo aparece então como expressão política transitória. Diante da precarização da vida, de um sistema cada vez mais selvagem, predatório e bárbaro, os corpos que rejeitam essas dores impostas se reúnem em assembleia, em manifestações públicas, e fazem-se luta.
Tornam-se visíveis no meio de um campo político que oculta os sofrimentos e esconde os corpos que sofrem. Reunidos, lutam performativamente contra a racionalidade neoliberal que destrói e degrada, contra a moralidade individualizante, contra o discurso da meritocracia, da dor que não se coletiviza nem se politiza.
Desde o surgimento de um número massivo de pessoas na Praça Tahrir, durante o inverno de 2010, estudiosos e ativistas renovaram o interesse sobre a forma e os efeitos das assembleias públicas.
A questão é, ao mesmo tempo, extemporânea e oportuna. A reunião repentina de grandes grupos pode ser uma fonte tanto de esperança quanto de medo e, assim como sempre existem boas razões para temer os perigos da ação da multidão, há bons motivos para distinguir o potencial político em assembleias imprevisíveis.
De certa forma, as teorias democráticas sempre temeram “a multidão”, mesmo quando afirmam a importância das expressões da vontade popular, inclusive em sua forma de desobediência.
A literatura é vasta e remete a autores tão diferentes quanto Edmund Burke e Alexis de Tocqueville, que se perguntaram de forma bastante explícita se as estruturas do Estado democrático poderiam sobreviver às expressões desenfreadas de soberania popular ou se o governo popular degeneraria em uma tirania da maioria. Corpos Em Aliança E A Política Das Ruas não pretende rever ou mesmo deliberar sobre esses debates importantes na teoria democrática, mas apenas sugerir que os debates sobre as manifestações populares tendem a ser governados pelo medo do caos ou pela esperança radical no futuro, embora algumas vezes medo e esperança se interliguem de modos complexos.

 

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