Os Espanhóis – Como são os espanhóis? Afáveis e simpáticos, como querem alguns, ou facilmente irritáveis, de pavio curto, como dizem outros? Como a Espanha, já considerada uma das nações mais pobres e atrasadas da Europa Ocidental, tornou-se uma das maiores economias mundiais? Como os espanhóis convivem com um movimento separatista dentro de seu próprio país?
Terra de conquistadores, sedutores e sonhadores, a Espanha forjou Dom Quixote, um dos mitos mais importantes da cultura universal, e também passou por um dos episódios mais sangrentos do século XX, a Guerra Civil Espanhola.
Com texto provocativo e solidamente pesquisado, Josep M. Buades – doutor em História na Espanha, hoje residindo no Brasil – rastreia as origens da cultura multifacetária e do caráter vulcânico desse povo, que tem sangue na areia, no altar e no copo.
A Espanha vivencia hoje um dos seus melhores momentos. Nunca no passado, nem sequer no apogeu de seu império de ultramar, tantos espanhóis desfrutaram de tão intenso bem-estar como na atualidade. Um país tradicionalmente agrário é hoje uma potência no setor turístico. Uma terra que não podia alimentar seus filhos e os empurrava a emigrar é receptora de importantes contingentes de imigrantes.
Uma nação pobre e atrasada figura atualmente entre as maiores economias mundiais. E seu tecido empresarial, que por gerações manteve métodos de gestão obsoletos e buscou no protecionismo a única via para garantir um mercado cativo, hoje possui multinacionais que concorrem nos mercados globais.
Politicamente, os espanhóis parecem ter superado os ódios caínicos que os compeliram ao beco sem saída do confronto civil. A Espanha dispõe de um sistema político democrático, que garante de forma bastante aceitável os direitos humanos de seus cidadãos. Até mesmo a monarquia, uma instituição aparentemente antiquada, possui uma imagem de modernidade. E o sistema parlamentar funciona bastante bem, o que não é frequente nos países latinos, permitindo a alternância no poder de distintas forças políticas.
No entanto, por trás dessa face risonha se esconde uma história muito trágica e toda uma série de conflitos que os espanhóis aprenderam a superar só parcialmente. A guerra e a crueldade fazem parte da história desse povo, mas também a coragem e o cavalheirismo. Terra de conquistadores, sedutores, sonhadores, mas sobretudo de grandes individualistas, a Espanha forjou alguns dos mitos mais importantes da cultura universal. A dor e o sangue vertido marcaram o caráter do espanhol.
Poucas civilizações têm refletido tanto sobre o sofrimento e têm feito dele um objeto de prazer estético.

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