José Guilherme Merquior – Formalismo & Tradição Moderna: O Problema Da Arte Na Crise Da Cultura

Não faltará quem leia o primeiro elemento desse título – Formalismo e Tradição Moderna – como uma espécie de definição do seu segundo elemento, tomando o formalismo por uma das principais características da tradição moderna no terreno da arte.

Nada mais natural, tantos e tão insistentes vêm sendo os ditos e escritos a respeito da experiência da forma, ou da mística da forma e da “linguagem”, na arte moderna e nas vanguardas que a precederam, desde o fim do romantismo.

Na verdade, quisemos justamente contar com o que há de aliciante nessa aproximação automática entre modernidade e formalismo – mas só o fizemos para poder problematizá-la.

Formalismo e tradição moderna figuram neste livro como polos antitéticos de uma mesma situação cultural: o problema da arte na civilização burguesa, tal como esta se firmou após a industrialização do Ocidente, a secularização de sua cultura e o declínio das elites de tipo tradicional. “Civilização burguesa” inclui naturalmente, neste sentido, os países ditos socialistas.

Nascidos no mesmo meio histórico, formalismo e modernidade estética são irmãos inimigos. O que estas páginas perseguem no campo múltiplo da estética e da sociologia da arte, da história da literatura, do teatro e da plástica, da poética e da teoria da crítica – é o combate permanente entre a forma, significação humana e crítica, e a forma, rito alienado.

Os treze ensaios que compõem Formalismo e Tradição Moderna se distribuem, quanto à sua redação, pelos últimos seis anos, seguindo inspirações diferentes.

O mais antigo, “Fragmentos de História da Lírica Moderna”, se prende ao segundo ensaio de minha última coletânea de crítica literária, A Astúcia da Mímese, publicada somente em 1972.

O longo texto chamado “Formalismo e Neorromantismo” teve sua primeira seção publicada, sob outro título, no “Suplemento Literário” do Minas Gerais (04/07/1970); ele deve muito (entre outras fontes) à poética benjaminiana da alegoria, sinteticamente exposta no meu Arte e Sociedade em Marcuse, Adorno e Benjamin (1969).

O ensaio sobre a pintura clássica da Renascença florentino-romana constituía primitivamente um subproduto da discussão da análise wölffliniana em história da arte realizada no corpo de “Formalismo e Neorromantismo”.

Os escritos sobre pop art e hiperrealismo e sobre a moderna estética da mise en scène são tentativas de focalizar tendências atuais da arte, inexplicáveis do ângulo formalista.

 

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