10 Lições Sobre Nietzsche visa oferecer ao leitor não especialista um pequeno apanhado conceitual do pensamento nietzscheano. Nesse sentido, seu objetivo é apresentar os temas centrais da Filosofia de Nietzsche distribuídos em 10 lições introdutórias. Cada uma delas versa sobre uma noção específica como, por exemplo: a morte de Deus, a vontade de potência e a doutrina do eterno retorno, buscando fornecer ao leitor um instrumental teórico que venha capacitá-lo a compreender as questões-chave de Nietzsche.
Nietzsche considerava que a descoberta do “fato de que ‘Deus está morto’, de que a crença no Deus cristão perdeu o crédito” faria desmoronar as bases de sustentação de todos os valores morais do Ocidente. Em outros termos, a morte de Deus traria à tona o perigo do niilismo – isto é, a ameaça de um total esvaziamento moral –, uma vez que o “advento” em questão provocaria a perda da autoridade reguladora dos valores que, até então, norteavam a civilização ocidental. Na ótica do filósofo, contudo, essa iminente falência do Ocidente abriria espaço para implementação de um projeto que visa promover a fundação de uma nova cultura capaz de superar o niilismo.
Ao dar contornos conceituais à questão do niilismo e, ao mesmo tempo, tentar superá-la, Nietzsche apresenta um problema com o qual boa parte do pensamento contemporâneo posterior a ele terá de se ater. De fato, não foram poucos os que, nos séculos XX e XXI, perceberam a importância e se defrontaram com esses temas. Arriscamo-nos a afirmar, por exemplo, que a filosofia nietzscheana consiste num dos pontos de partida para as reflexões existenciais de Heidegger e do existencialismo francês. Como seria possível compreender uma das máximas do existencialismo sartreano, a saber, “a existência precede a essência”, sem levarmos em conta que o pensamento do filósofo francês está situado num momento histórico “pós-morte de Deus”?
Lembremos que a formulação de Sartre é resultado de uma reflexão radical acerca das consequências do ateísmo sobre a existência humana. A esse respeito, examinemos o que diz o filósofo francês em O existencialismo é um humanismo: “O existencialismo ateu, que eu represento, é mais coerente. Ele declara que se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por um conceito […] esse ser é o homem”.

Camisa Pilha De Livros

Deixe uma resposta