João Brizola – Minha Vida Com Meu Pai, Leonel Brizola
Este livro conta em detalhes a vida de Leonel Brizola sob o ponto de vista de seu filho, João Otávio. Não é uma daquelas biografias “chapa branca”, onde sobram elogios. Da forma mais imparcial possível, João revela como era o seu pai no cotidiano.
Não perde tempo enumerando suas grandes obras e conquistas – embora tenha orgulho delas. Afinal, o gaúcho foi o único político a se eleger governador por dois estados diferentes: Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Amado por muitos, odiado por outros, ele é considerado o herdeiro político de dois ex-presidentes do Brasil, Getúlio Vargas e João Goulart.
Este livro não conta apenas uma parte da saga vivida por Brizola, dona Neusa, e seus filhos. Conta também momentos e pensamentos do presidente João Goulart no seu exílio no Uruguai.
Retrata o sofrimento de uma família que, perseguida por motivos políticos, é obrigada a se exilar, deixar todos os seus bens, os seus amigos mais queridos, e recomeçar uma vida do zero e totalmente estranha.
O livro é ainda mais do que isso. É um grito de um filho que durante muito tempo “perdeu” o pai, que, ao contrário dos pais ditos “normais”, só pensava em planejar a sua volta para o Brasil e retomar o que de mais importante haviam lhe tirado: a vida pública, e a sua luta por um país mais justo. “Eu não vi os meus filhos crescerem”, me disse Brizola num dia em que me contava a sua dramática passagem pelo exílio e pela política.
“Perdi muitos e bons anos com minha família, afundado que estava na ideia fixa de voltar ao Brasil.”
Imagino o quanto João Otavio, que era o filho com quem Brizola tinha mais afinidade, sofreu para escrever as suas memórias, muitas delas de uma infância perdida, depois de tantos anos e tantas reflexões.
Em certas passagens, o autor faz um minucioso relato da intimidade de uma família cuja mãe era produto da aristocracia rural gaúcha, e o pai, filho de simples camponeses.
Desse choque de realidades tão distantes, nasceu um profundo amor, e mesmo quando João revela que seu pai teve momentos de pequenas “aventuras”, revela também que este nunca deixou de amar e cuidar daquela mulher que entregou a vida ao homem que foi a sua grande e permanente paixão.
Pela convivência que eu tive com eles, pude ser testemunha desse amor absoluto. Nunca vi alguém ser tão carinhoso com uma mulher quanto Brizola foi com dona Neusa. E nunca vi uma mulher ser tão apaixonada por um homem quanto ela foi por ele.

 

Camisa Pessoa

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