As anotações que formam este livro referem-se a conversas que tive com Albert Speer após sua saída da prisão de Spandau. O editor da Editora Ullstein, Wolf Jobst Siedler, perguntara-me se eu me dispunha a ajudar Speer na composição de suas “memórias,” atuando como “editor-interrogador.” Ocorre que Siedler esteve em contato com Speer durante os anos em que este esteve preso, a fim de assegurar os direitos sobre o trabalho planejado, o qual – logo ficou evidente – já estava esboçado. Inúmeros outros editores, tanto na Alemanha quanto no exterior, também estavam interessados nas memórias. Mas foi Siedler quem conseguiu o contrato.
No fim de 1966, diante da insistência da editora americana Harcourt, Brace, Jovanovich, comecei a pensar em abandonar meu trabalho como editor-chefe na televisão e me dedicar à redação da biografia de Hitler, que surgiu alguns anos depois. Portanto, o pedido de Siedler me pareceu interessante por seu conteúdo e, ao mesmo tempo, útil para meu projeto. Sem dúvida, Speer era uma testemunha de primeiro plano, do tipo de que os historiadores raramente dispõem. Graças à sua posição privilegiada e de confiança na corte de Hitler, tanto quanto à ampla visão e imparcialidade com que ele acompanhara o período final do regime názi, havia todos os motivos para acreditar que descreveria com muito mais pormenores e precisão a personalidade do ditador do que qualquer outro participante havia feito. Além disso, o retrato que eu traçara de Albert Speer em Das Gesicht des Dritten Reichs1 [A face do III Reich] levantara um sem-número de indagações para as quais fui capaz de oferecer respostas apenas aproximadas, com base nas fontes disponíveis, mas que mereciam mais esclarecimentos. Depois de pensar um pouco, aceitei a proposta.
Nosso trabalho conjunto começou no início de 1967. Apesar de reservas evidentes de lado a lado, Speer revelou-se um interlocutor inteligente, que não se dava a estreitezas por preconceitos (tanto quanto foi capaz) e tampouco relutava em fornecer informações.

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