Os Dados Estão Lançados – O impossível é sempre mais sedutor que o possível. Depois que nossos valores já estão definidos e a rotina já triturou nossa semeadura inicial de ilusões, começamos a fantasiar as utopias. Poder voltar ou refazer nossos objetivos talvez anulasse medos e insatisfações.
E que espaço ocupariam o amor e o dever nesse eterno retornar? Seríamos salvos pelo amor? Morreríamos pelo dever? Ora! Mas não é o dever uma forma altruísta de amor?
Depois que uma pessoa morre é possível voltar à vida? Os personagens Pierre e Eve tiveram essa oportunidade que é dada só em casos especiais. Os dois foram assassinados, suas vidas eram muito diferentes, não se encontraram, não deu tempo. O ser que rege o Universo e que cuida da vida e da morte, o “Diretor”, também comete erros, então o artigo 140 vem para reparar possíveis equívocos:
“Se em consequência de um erro, um homem e uma mulher destinados um ao outro, não se encontram durante a sua vida, podem reclamar e obter autorização para voltar a Terra, dentro de certas condições para ir viver ali o amor e a vida em comum que lhes foi indevidamente frustrada.”
Os dois têm uma nova oportunidade, mas descobrem que o destino é mais forte que o livre- arbítrio, que por mais empenho que se coloque em algo, a vida parece estar encaminhada para uma direção determinada. Essa mensagem deixada por Sartre pode provocar duas reações: resignação e alívio, “já que o Destino rege a minha vida, não tenho culpa ou mérito por tudo que me acontece, vou relaxar!”; ou desesperança e temor, “por mais que eu faça e me esforce, a Sorte está lançada, não tenho controle sobre a minha vida, qual será o meu Destino, então?”.
Os Dados Estão Lançados foi levado ao cinema, produção francesa pós- guerra (1947), com direção de Jean Delannoy.

Camisa “Espere Eu Acabar Esse Capítulo!”

Deixe uma resposta