Jacob Gorender – A Escravidão Reabilitada
Em O escravismo colonial, publicado originalmente em 1978, o autor caracteriza o modo de produção colonial tomando como centro de sua análise o trabalhador escravizado.
Setores conservadores – impulsionados pela crescente ofensiva neoliberal – rapidamente reagiram a essa análise modernizando uma já antiga tese, cujas raízes remontam a Gilberto Freyre, de um suposto escravismo brasileiro patriarcal e benigno.
Em A Escravidão Reabilitada, Jacob Gorender elabora uma resposta geral a tal proposta. Ele trava uma densa discussão sobre o revisionismo histórico que buscava justificar a perspectiva dos dominadores de ontem e de hoje.
A Escravidão Reabilitada demonstra a debilidade histórica e teórica dessas análises que empreendiam verdadeira suavização do escravismo brasileiro. Esta obra é de extrema atualidade tanto para a batalha das ideias no campo da historiografia e da teoria da história quanto para compreender o passado escravista brasileiro e suas permanências.
Sua primeira edição vem à luz dois anos após o centenário da Abolição, quando houve diversos eventos acadêmicos e o sociais que, em alguma medida, deixavam em segundo plano a perspectiva dos trabalhadores escravizados – tanto das agruras que passavam quanto do seu importante papel de resistência, fundamental para a Abolição.
Jacob Gorender (1922-2013) pode ser considerado, hoje, um dos mais importantes intérpretes da formação social brasileira com estudos que abrangem um amplo arco histórico desde a colonização até a República.
A rigorosidade teórica e analítica é marca de sua escrita, bem como sua atuação militante nos combates políticos. Sua formação intelectual não pode ser desligada de sua prática política, pois além de ela ter se realizado no âmbito do movimento comunista, ela foi a ótica sob a qual procurou interpretar a realidade brasileira.
Para ele, compreender o modo de produção vigente no Brasil desde seu descobrimento até o século XIX não era mero exercício de erudição, mas sim uma forma de compreender as raízes históricas do padrão de dominação de classe e o surgimento da sociedade e produção capitalista brasileiro.

 

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