Gláucio Ary Dillon Soares & Maria Celina D’Araujo (Orgs.) – 21 Anos De Regime Militar
Transferido o poder militar para os civis, ou mesmo antes, quando se negociava a transferência desse poder, todas as mazelas do país foram tributadas “àqueles 20 anos” de Autoritarismo.
Esse modo de sentir ficou bem registrado nos diálogos de nosso cotidiano e foi consagrado no carnaval de 1986 no samba enredo da escola de samba Império Serrano, que assim expressava um desabafo que era muito comum a muitos brasileiros:
“Me dá, m dá
Me dá o que é meu
Foram 20 anos
Que alguém comeu…”
Pensar o legado desse período de autoritarismo militar é tarefa que se impõe aos historiadores e também aos cidadãos interessados no futuro do país.
A sensação de perda anunciada na canção popular exprime uma percepção que atribui àquele período vários retrocessos.
Há debates dobre as perdas econômicas, acentuadas com a decolagem da inflação que marcou o fim do regime, e poucos duvidam de que houve um retrocesso institucional: durante mais de duas décadas a democracia regrediu.
Os partidos não evoluíram, e a legislação eleitoral, cada vez mais casuística, deixou marcas que ainda dificultam nossa evolução política.
Interrompeu-se a formação da elite política e, após a redemocratização, o Brasil voltou a ser comandado por várias das figuras que o golpe quis apagar.
Os novos políticos que entraram em cena foram treinados por um regime que desprezava a política e que pagava tributo apenas superficialmente à democracia.
A descrença na atividade política como um canal legítimo de representação dos interesses da população continuou após a redemocratização.
A crise ética que espocou nos anos 90 se deve, em muito, a esses fatores, e as iniciativas para reverter esse quadro vêm demonstrando um anseio de reconstrução política do país. Certamente nem todos os problemas existentes no Brasil após o período militar (1964-1985) podem e devem ser creditados àquele regime.
Entretanto, por mais que acentuemos os aspectos positivos daquele período, nem todos os seus ganhos, especialmente o crescimento econômico de fins da década de 60 e início de 70, podem, é claro, ser atribuídos a “virtudes” do regime militar.

 

Camisa “E Viva A Diferença!”

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