Frederico Oléa – Verdade Em Habermas (1954 – 1973)

Frederico Oléa busca nesta obra promover um resgate histórico e reconstrutivo da filosofia habermasiana no que toca ao tema verdade.

Frederico Oléa – Verdade Em Habermas (1954 – 1973)

Há filósofos cuja obra juvenil permanece como que ofuscada pela luz que emana de sua obra madura ou tardia. É o caso de Kant, cujos escritos pré-críticos são interessantes, no máximo, para especialistas e para historiadores da filosofia; ou de Adorno, cuja tese de doutorado sobre Husserl é praticamente desconhecida fora do círculo dos intérpretes.

E é também, parcialmente, o caso de Habermas, cujas obras antes de Conhecimento e interesse (1968) são quase desconhecidas, com a formidável exceção de Mudança estrutural da esfera pública (1962), da qual o sucesso prossegue inalterado desde sua publicação.

Com certeza, o fato de os primeiros escritos desse filósofo terem aparecido em revistas e jornais, isso é, fora do meio acadêmico, contribui para que eles não sejam considerados por muitos intérpretes como sendo relevantes.

Acrescente-se a dificuldade de ter acesso a alguns deles, uma vez que o próprio Habermas se recusou em republicá-los em livro (como habitualmente fez e ainda faz com seus escritos menores e ocasionais) e que as únicas maneiras para lê-los são ou procurar numa boa biblioteca alemã os originais dos magazines e jornais onde saíram ou pôr as mãos num livro bastante raro, publicado na década de 1970 na Holanda sem a permissão de Habermas, no qual tais artigos estão reunidos para alegria do comentador (e provável irritação do pensador alemão).

Em 1973, Habermas publicou o texto Teorias Da Verdade (Wahrheitstheorien), no qual defende uma teoria consensual da verdade, a partir do que teria sido uma virada linguística.

Na confirmação do insight de que a categoria “verdade” está difundida na obra de Habermas desde muito antes da década de 1970, busca-se nesta obra promover um resgate histórico e reconstrutivo da filosofia habermasiana no que toca ao tema verdade, utilizando seus trabalhos anteriores a 1973, desde 1954, bem como discutir a argumentação contida em Teorias da Verdade.

Também explora-se, a partir de estudos preliminares e da própria reconstrução realizada, as possíveis influências e inspirações que Habermas possa ter sofrido no desenvolvimento da concepção sobre a verdade e sua teoria da verdade, não apenas no sentido do discurso mais corrente sobre a linguist turn que o acometera.

Por fim, questiona-se e tenta-se responder se a Teoria consensual da verdade ou teoria discursiva da verdade, de um lado, insere-se como modelo crítico reconstrutivo, e de outro lado, se a concepção sobre verdade em Habermas, no período analisado, é tributária para além das próprias viradas linguística e reconstrutiva.

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