Fernando C. Prestes Motta – Teoria Das Organizações: Evolução E Crítica
Este livro se propõe a apresentar um amplo panorama das teo­rias organizacional e administrativa, identificando suas principais matrizes e tendências teóricas, com especial referência seu desenvolvimento no Brasil, tanto na vertente empresarial como nas áreas pública e educacional.
Ele também procura identificar várias tendências e alter­nativas surgidas em diversos países.
Desde seu primeiro livro, Teoria Geral Da Administração: Uma Introdução, Motta indica a autogestão como alternativa à burocracia, como forma democrática de poder dos produtores associados na consecução de objetivos coletivamente construídos.
Assim, em termos de poder, burocracia e autogestão são dois extremos do processo. Neste livro, desenvolve essa tese com precisão, tomando a proposta de Proudhon como foco da argumentação.
Aqui, o autor vai tratar o poder como forma de apropriação que se dá por meio da burocracia e de sua forma de gestão, a heterogestão, a qual assume e conserva o monopólio da função de governo sobre os processos sociais essenciais, com o que pretende ser a representação das massas trabalhadoras.
A proposta autogestionária significa a negação desse processo, na medida em que a política é controlada pelo povo e desaparece a apropriação que caracteriza a burocracia, tanto em termos de produção capitalista, quanto em relação ao Estado.
Se a heterogestão separa artificialmente as categorias dos dirigentes da dos dirigidos, a autogestão libera a sociedade real das ficções a que se acha submetida, sendo a proposta de Proudhon o marco de uma forma de organização social que respeita a liberdade e o pluralismo, como uma possibilidade de um governo das massas que incomoda os detentores do poder e na qual não há lugar para os burocratas.
A autogestão, para Motta, é uma denúncia e possibilidade real e radical da transformação social, cuja dificuldade de operacionalização se encontra, justamente, ente em uma razão que se opõe à do poder.
Nota-se, nesse sentido, que a burocracia e sua forma de gestão, a heterogestão, constituem forma de poder, e a autogestão, de não-poder. O conceito de poder com que Motta trabalha refere-se a uma radical separação, nos processos decisórios, entre dirigentes e dirigidos, cuja superação não depende da integração destas categorias, mas da superação da divisão, que não se poderá realizar no interior de uma burocracia, mas unicamente com sua supressão.

 

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