Fernanda Lopes De Oliveira – A Tanatologia Em Epicteto
Como uma filosofia eminentemente prática, o Estoicismo, ao longo de seus quase sete séculos de existência, se dedicou frequentemente ao tema da morte, entendendo sua importância na construção da vida virtuosa.
Para isso, é fundamental compreender o que é a morte e eliminar o medo que se sente dela.
Nesta obra, apresentarei uma (re)construção da tanatologia de Epicteto, filósofo estoico do século I d.C.
Para isso, inicialmente apresento o tema da morte sob a perspectiva dos três campos que compõem a filosofia estoica (lógica, física e ética). Em seguida, passarei à aplicação dessa tanatologia ao medo da morte, apresentando práticas filosóficas apropriadas à eliminação do medo.
E, finalmente, tratarei do suicídio do ponto de vista da filosofia epictetiana, considerando os critérios necessários para que o suicídio seja virtuoso.
A morte, como Foucault destaca, “não é apenas um acontecimento possível, é um acontecimento necessário. Não é apenas um acontecimento com alguma gravidade: tem para o homem a gravidade absoluta”.
Ela coloca o homem diante de sua própria finitude e da perda de seus amigos e familiares, o que, por vezes, é fonte de sofrimento.
Por isso, a Filosofia tem se dedicado ao tema desde a Antiguidade, por filósofos como Platão, Epicuro e Epicteto, por exemplo.
Restringimo-nos aqui a este último, filósofo estoico do século I d.C. Epicteto era filho de uma serva e seu nome significa “adquirido”. Foi escravo de Epafrodito, secretário imperial de Nero e Domiciano.
Apesar de sua condição, pôde frequentar as aulas de Musônio Rufo. Mais tarde, após sua libertação, fundou uma escola em Roma. Contudo, não lecionou em Roma por muito tempo, pois Dominiciano expulsou os filósofos da cidade em 89 d.C.
Epicteto, então, foi para Nicópolis, em Éfira, onde fundou outra escola estoica, contando com muitos alunos, entre eles figuras importantes do Império Romano.
Tal como Sócrates, Epicteto nada escreveu. Sua filosofia chegou até nós por intermédio das anotações de seu discípulo Lúcio Flávio Arriano Xenofonte, que registrou os ensinamentos de Epicteto em oito livros que compunham as Diatribes e no Manual, uma síntese da filosofia epictetiana.

 

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