Sete Contra Tebas é a última e única restante peça da vitoriosa tetralogia de Ésquilo apresentada no concurso do festival das Grandes Dionísias em 467 a . C.
Sete Contra Tebas é a última e única restante peça da vitoriosa tetralogia de Ésquilo apresentada no concurso do festival das Grandes Dionísias em 467 a . C.

Ésquilo – Sete Contra Tebas

Sete Contra Tebas é a última e única restante peça da vitoriosa tetralogia de Ésquilo apresentada no concurso dramático do festival das Grandes Dionísias em 467 a . C. em Atenas, tetralogia essa composta pelas tragédias Laio e Édipo e o drama satírico Esfinge.

Tal conjunto de peças conectadas, e principalmente a própria Sete Contra Tebas, fez fama na Antiguidade, servindo tanto para modelo de composição,
ao reafirmar o ciclo tebano como material básico para apropriação dramatúrgica (exemplo disso temos Antígona, Édipo Rei, e Édipo em Colono, de Sófocles e As suplicantes, As fenícias e As Bacantes, de Eurípides) quanto de paródia, como se vê em As fenícias, de Eurípides.

Na comédia As Rãs (405 ), Aristófanes coloca em cena Ésquilo defendendo-se das críticas de Eurípides: “eu compus um uma peça cheia de Ares (…) Os Sete Contra Tebas. Qualquer homem que tivesse assistido à peça desejava ser um guerreiro.”

Ésquilo vale-se da peça para reafirmar a superioridade de sua dramaturgia frente a de Eurípides.

Dentro produção teatral de Ésquilo Sete Contra Tebas ocupa um privilegiado lugar como o das outras restantes cinco peças de aproximadamente 90 compostas durante a vida do dramaturgo.

Essa produção inicia-se com a primeira participação de Ésquilo nas competições dramáticas (499-496) A primeira vitória (atestada) nessas competições vem aproximadamente quinze anos depois (484).

Dentro dessa sucessão de lapsos e pequenos pontos conhecidos temos A) Os Persas (472) como exemplo de única peça de uma trilogia não conectada; B) Sete contra Tebas (467), As suplicantes (década de 460) e as três peças da Orestéia, Agamenon, Coéforas e Eumênides, já como explorações de um encadeamento trilógico/tetralógico.

Então, cinco anos após Os Persas, Sete Contra Tebas testemunha uma alteração nos parâmetros de composição, realização e recepção de espetáculos audiovisuais em Atenas.

Novas tarefas para o dramaturgo e novas exigências do auditório vinculam-se na proposição de uma exibição de procedimentos que ultrapassem a unidade do evento teatral que a peça isolada parecia determinar.

A tensão entre obra individual e a tetralogia proporciona a ampliação e diversificação da ficção representada, das expectativas da recepção e da forma de organização do que é mostrado.

Assim sendo, a leitura de Sete Contra Tebas nos transforma em observadores de uma tradição de obras dramático-musicais já centenária ( em 534 Téspis havia vencido o primeiro concurso da Grande Dionísia) mas sujeita a modificações não só institucionais mas estéticas.

Como primeiro documento de peças conectadas, Sete Contra Tebas nos apresenta, tanto nos elementos selecionados para a exibição quanto na combinação e organização desses elementos, a complexidade audiovisual do espetáculo teatral ateniense e as dificuldades para sua elaboração e desempenho.

As amplas dimensões da tetralogia, ainda mais representada em dias diferentes da competição, funcionavam como exibição mesma da competência do dramaturgo em conciliar a inteligibilidade do que é performando com o esforço de configurar uma situação de representação que integre tempos, espaços e desempenhos diversos.

Daí a forma de organização do espetáculo do qual o texto restante de Sete Contra Tebas é roteiro de leitura e compreensão.


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