Eça De Queirós – A Cidade E As Serras

A Cidade E As Serras – Paris, França, segunda metade do século XIX. Na cidade mais cobiçada da época, o progresso tecnológico e as novidades da parafernália moderna seduzem a elite burguesa. Com Jacinto Galião, não é diferente. Rico, gordo e amante da vida urbana, o protagonista desta história não economiza elogios – muito menos dinheiro! – ao desfrutar dos luxos e ócios promovidos pelo entusiasmo futurista.
Logo, porém, o leitor vai descobrir que todo esse burburinho de futilidades começa a cansá-lo. E ninguém melhor que José Fernandes, narrador-personagem, para contar em detalhes como e por que Jacinto troca a agitação urbana pela vida simples do campo, instalando-se na bucólica cidade de Tormes, encravada numa região serrana, no interior de Portugal.
Um romance de Eça, pertencente à última fase do escritor, que é caracterizada pela pacificação do artista, pela sua visão mais otimista, pelo corte com a corrente literária do realismo e o abandono do tipo de romance crítico.
A Cidade E As Serras foi editado postumamente, em 1901, e denuncia um aspecto importante da vida do escritor nos seus últimos anos de vida nos quais Eça escreveu várias cartas aos seus amigos em que denuncia essa ânsia por uma vida de família que o retempere do “descampado do sentimentalismo” de que estava cansado.
Nesse contexto Queirós faz uma comparação entre a vida módica e agitada de Paris (cidade em que viveu desde 1895, exercendo o cargo de cônsul, até à sua morte em 1900) e a vida tranquila e pacata na cidade serrana de Tormes num percurso de regresso às origens. A Cidade E As Serras é pois um romance que assume várias conotações simbólicas ideológicas e simbólicas sobretudo a oposição cidade-campo.
Eça criou A Cidade E As Serras a partir de um conto seu chamado “Civilização” que faz Zé Fernandes, personagem-narrador do conto, a contar a história de Jacinto, o protagonista do livro.
É um romance denso, belo, ao longo do qual Eça de Queirós ironiza ferrenhamente os males da civilização, fazendo elogio dos valores da natureza.

   

 

 

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