Diamela Eltit – A Máquina Pinochet E Outros Ensaios

A Máquina Pinochet E Outros Ensaios é um coletânea de textos críticos da escritora chilena Diamela Eltit, uma das grandes vozes do feminismo latino-americano.

Durante a ditadura chilena, Eltit foi uma das criadoras do coletivo CADA (Colectivo de Acciones de Arte), responsável por utilizar a cidade como cenário de uma arte engajada e inovadora.

Autora de romances importantes como “Lumpérica”, Eltit é também uma ensaísta delicada e poderosa, atenta a situações em que o corpo é o próprio palco da política.

Os ensaios reunidos em A Máquina Pinochet E Outros Ensaios, traduzidos por Pedro Meira Monteiro, organizados e prefaciados por Meira Monteiro e por seu colega em Princeton, Javier Guerrero, trazem a voz única de Eltit para o público brasileiro, no momento em que é também lançado o seu primeiro romance em português.
No dia 10 de março de 1983, Diamela Eltit recebe uma correspondência oficial. O Ministério do Interior do Chile, por ordem do presidente da República, Augusto Pinochet, autoriza a edição, publicação e distribuição daquele que seria seu primeiro romance: Lumpérica.

Sua aposta literária atravessa então a férrea censura estatal, para fazer frente à máquina de desarticulação do sentido estabelecida pela ditadura.

Numa entrevista, a autora argumenta ter escrito o romance “com um censor ao lado”, o que não significa que se alinhasse à tecnologia da censura.

Diferentemente, a obra-prima de Eltit é capaz tanto de burlar o estrito controle do sentido estabelecido pelo poder estatal, quanto de converter-se numa poética paradigmática da assim chamada Escena de Avanzada, a “cena do avance” chilena.

O ano de 1983 constitui, portanto, um ponto de inflexão na inserção pública de Diamela Eltit. O final do CADA marca o começo de seu percurso como escritora. Entretanto, Lumpérica tardaria a ser assimilado e inscrito na cena literária chilena.

 

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