Denise Cavalcante Barros & Outros (oRGS.) – Vigilância Alimentar E Nutricional Para A Saúde Indígena Vol. I
Com uma instigante abordagem sobre alimentação e nutrição indígenas, o presente volume inaugura uma das etapas de implantação e consolidação da Vigilância Alimentar e Nutricional para a Saúde Indígena.
Produto de parceria entre pesquisadores de diversas instituições e o Ministério da Saúde, através da Funasa, a iniciativa demarca uma bem-sucedida busca de efetivar abordagens intersetoriais no campo da saúde das populações indígenas.
Fiéis a essa premissa, os autores iniciam o estudo por uma rica contextualização das condições de vida e de saúde dos povos indígenas, e explicitam as políticas públicas que demarcam a atuação institucional dedicada a essa temática.
Somente então passam ao objeto do livro: a investigação das condições de nutrição e alimentação das populações indígenas que vivem no território brasileiro. Trata-se de um recorte criativo que se afasta das abordagens convencionais, corriqueiramente restritas à mensuração de facetas biológicas de fenômenos complexos, como as práticas alimentares humanas.
Os primeiros capítulos descrevem as muitas características das sociedades indígenas que vivem no Brasil e buscam demonstrar, para o leitor, a diversidade que as constitui e a notável capacidade de interagir com os mais diferentes ecossistemas, deles extraindo os meios de sua reprodução material e simbólica.
Discorrendo sobre terras, línguas, cosmologias, organização social, história do contato e das epidemias, os autores não apenas demonstram como essas dimensões configuram o perfil mórbido, mas também desvelam a inadequação da oferta de cestas básicas, característica bastante comum a boa parte das iniciativas públicas no campo das políticas alimentares dirigidas aos povos indígenas.
É algo que também nos leva a refletir sobre a permanente tensão entre a rigidez das políticas públicas ditas universalizantes e a infinita variedade das situações encontradas localmente.
Ao longo do livro torna-se perceptível que princípios fundamentais do SUS, como a universalidade, a eqüidade, a integralidade e a intersetorialidade, não apenas estão mal delineados na política de atenção à saúde dos povos indígenas, como também – e ainda – se configuram como abstrações distantes das práticas cotidianas nos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).
As aceleradas transformações enfrentadas pelos povos indígenas representam um formidável desafio à concretização dos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), que também orientam a política de saúde indígena. Esse é um cenário que certamente esta obra contribuirá para mudar.

 

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