Darcilia Simões (Org.) – Estudos Semióticos: Papéis Avulsos
A presente coletânea teve origem numa constante alusão à necessidade de renovação na metodologia do ensino da língua materna. A aprendizagem da leitura e da produção textual vem sendo o calcanhar de Aquiles da escola em todos os níveis.
A expectativa de que o estudante se mostre apto a ler e compreender textos na mesma proporção em que seja capaz de produzir textos legíveis tem sobressaltado os docentes, uma vez que o ingresso na escola superior de alunos lingüisticamente despreparados vem-se avultando dia a dia.
Os exames oficiais que visam à avaliação do desempenho escolar do ensino básico ao superior vêm fornecendo dados alarmantes no que tange ao domínio da língua nacional. Ainda que se tenha a clareza de que o aluno, ao ingressar na escola, já fala a sua língua e por isso tem suficiência comunicativa, não apaga a imagem de desconhecimento do uso padrão, que é o exigido nas práticas sociais cotidianas, sobretudo nas práticas escritas.
Embora seja notória a rarefação das atividades escritas no cotidiano dos falantes, verifica-se a exigência da competência redacional quando da busca de inclusão no grupo denominado População Economicamente Ativa — PEA, ou seja, no mercado de trabalho. Atualmente, a qualidade do produto escolar é tão baixa que qualquer possibilidade e emprego está exigindo no mínimo o segundo grau completo, quando não estabelece a matrícula em um curso superior como condição de admissão no cargo.
Este quadro tem levado os estudiosos a buscarem estratégias diversificadas para o ensino da língua materna, principalmente no uso padrão, por meio das quais as classes de língua portuguesa se tornem a um só tempo interessantes e proficientes.
Isto porque só se aprende o que desperta o interesse; e a proficiência demanda exercício continuado. Portanto, despertar o interesse e produzir eficiência demanda ações multi e transdisciplinares, que demonstrem ao alunado que toda a sua experiência de vida se traduz em linguagem e que, em última análise, é a língua materna que possibilita a sua interação consigo mesmo e com os seus iguais.
Logo, saber a língua, sobretudo a língua padrão, abre-lhe as portas para o autoconhecimento e para o desbravamento do mundo próximo e distante, já que, dominando o código escrito, o livro será o seu passaporte para as viagens mais incríveis pelo mundo real e pelo mundo ficcional.

 

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