Contraciv – Comunismo Anticivilização?
Este ensaio é uma tentativa inicial de abordar os conflitos e as relações possíveis entre as perspectivas socialistas e a crítica à civilização. Ele foi escrito com a intenção de iniciar um debate mais proveitoso para ambas as partes, e não para resolver esses conflitos de modo definitivo.
Falar de crítica à civilização é sempre delicado. Quem toca nesse assunto pode ser facilmente acusado de sugerir um fim catastrófico para a sociedade industrial, o que deixaria os indivíduos e populações mais frágeis à mercê de doenças e ameaças naturais. Seria um genocídio. Porém, a questão é mais complexa que isso. Há várias abordagens possíveis, e nem todas são tão ingênuas assim.
Uma das abordagens é a da insustentabilidade da civilização. O modo de vida civilizado nos tornou dependentes de uma taxa de consumo que ultrapassa a capacidade de regeneração do planeta. Logo, o atual modelo de desenvolvimento econômico e social não pode ser aplicado globalmente. É preciso um modelo completamente diferente, e este modelo poderia ser baseado no que povos nativos tem feito por milhares de anos. Outros ainda sugerem que todos os modelos racionais são falhos porque são centrados no bem-estar humano e que somente a ausência de um modelo, um fluir espontâneo e livre, poderia ser sustentável. Essa ideia reflete a crítica de Emma Goldman à autoridade humana e sua colocação de que a única autoridade legítima é a autoridade da natureza.
Mas essa é só a superfície do problema. Ainda podemos nos questionar que conceito de natureza está sendo aplicado. Defensores do liberalismo, por exemplo, podem enxergar a natureza a partir das leis de mercado, sugerindo que a solução para a civilização seria uma espécie de anarco-capitalismo. Por outro lado, anticapitalistas sugerem que a civilização só seria um problema nas condições específicas do capitalismo e que numa sociedade póscapitalista esses problemas poderiam ser facilmente resolvidos.
Contra ambas as posições e entrando em conflito até com o anarquismo clássico de Bakunin a Kropotkin, surge recentemente uma perspectiva que rejeita a ideia de progresso e de avanço tecnocientífico: a anarquia anticivilização.

 

Camisa Pessoa

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