Ciro Flamarion Cardoso – Narrativa, Sentido, História
Neste fim do século, os historiadores, como muitos outros praticantes das disciplinas sociais e humanas, preocupam-se com a questão da textualidade.
Parecem-lhes pertinentes, em especial, as estruturas narrativas e a noção de sentido ou significação.
Entretanto, nos cursos de graduação, os futuros historiadores ou professores de História recebem uma formação que, em geral, não nos prepara para enfrentar os desafios implícitos na decisão de aplicar noções teóricas, métodos e técnicas derivados da linguística e da semiótica em seus trabalhos com textos.
Narrativa, Sentido, História quer preencher tal lacuna. Cada capítulo, após uma rápida exposição de noções teóricas gerais, dedica-se à apresentação detalhada e à explicação passo a passo de exemplos de uso, para os fins da pesquisa histórica, de métodos que permitam abordar com proveito as questões atinentes à narrativa e ao sentido de textos escritos e filmes.
Narrativa, Sentido, História nasce de três cursos por mim lecionados, em diversas ocasiões, na Graduação em História da Universidade Federal Fluminense: o primeiro, no quadro de disciplina monográfica do antigo currículo, História Antiga e Medieval, tratava de apresentar aos alunos e depois treinar com eles a aplicação à história de métodos derivados dos estudos literários (em especial aqueles devidos a Lucien Goldmann e Tzvetan Todorov).
O segundo, na disciplina História, Língua e Texto do novo currículo de Graduação, ocupava-se dos métodos derivados da semiótica textual, com ênfase na escola cujo líder é Algirdas Julian Greimas.
O terceiro, incluído na programação do ciclo profissional da Graduação, tinha como tema A ficção científica, imaginário do século XX, concentrando-se em obras literárias, filmes e histórias em quadrinhos.
Todos esses cursos foram também lecionados na pós-graduação, com as devidas adaptações. O fato de ter tido origem nessas experiências docentes marca Narrativa, Sentido, História de diversos modos, em especial nas escolhas de exemplos, os quais, com poucas exceções, são alguns dos que se trabalharam nos cursos mencionados.
Animou-me a escrever Narrativa, Sentido, História o fato de que os métodos que explica ainda sejam desconhecidos, ou quase, dos historiadores e, mais em geral, dos especialistas das disciplinas humanas e sociais no país — isso, em certas universidades, sem excetuar mesmo os estudos literários: pelo menos em parte, já que a semiótica ensinada aos alunos de Letras nem sempre é a que aqui se maneja — , motivo pelo qual poderia ser útil um manual que os tornasse acessíveis a tais áreas, mediante exemplos a elas apropriados, incentivando assim a sua aplicação, a meu ver fértil em possibilidades.

 

Camisa Drummond

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