César Meurer – A Teoria Correspondentista Da Verdade: Apresentação E Crítica Lógico-Semântica
A possibilidade de determinar átomos linguísticos e a correspondência destes a entidades, átomos igualmente simples no mundo extralinguístico, constitui o núcleo da assim denominada teoria correspondentista da verdade.
Tal é o entendimento de Bertrand Russell e Ludwig Wittgenstein, considerados os principais defensores dessa teoria no século XX.
Russell pensava que a estrutura última da realidade se revela na análise lógica de sentenças verdadeiras, uma vez que estas espelham os fatos que expressam. Denominada ‘atomismo lógico’, essa posição ganhou adeptos e, em pouco tempo, status de paradigma filosófico alternativo ao idealismo e ao pragmatismo.
No capítulo 1, abordo o atomismo lógico de Russell como uma doutrina metafísica e dedico-me a detalhar a concepção correspondentista de verdade que ela comporta. O primeiro Wittgenstein concebia o mundo como um conjunto de coisas simples em diversos arranjos que subsistem – os fatos.
Pensar, lemos no Tractatus, consiste em fazer figurações de fatos ou estados de coisas possíveis. Graças à forma lógica, nossas figurações podem ser comparadas com o afigurado.
São verdadeiras aquelas que correspondem aos fatos. A correspondência, veremos no capítulo 2, consiste em uma coordenação de elementos: as coisas no estado de coisas, por um lado, e as palavras na proposição, por outro.
A linguagem, expressão sensível do pensamento, preserva a correspondência do figurado com o afigurado. Alfred Tarski via a sua concepção como uma espécie de teoria correspondentista aperfeiçoada, mas com solução positiva apenas no âmbito das linguagens formalizadas.
No capítulo 3, examino os principais escritos de Tarski sobre a verdade. Defendo que a concepção tarskiana de verdade é correspondentista e que a definição não é. ‘Concepção’, nessa formulação, designa o propósito do autor e ‘definição’, por outro lado, aponta para o resultado que ele efetivamente alcançou.
Donald Davidson, que se apropria da solução de Tarski e pretende adaptá-la à linguagem natural, critica duramente a teoria correspondentista da verdade, considerando-a ininteligível e sem conteúdo.
No capítulo 4 procuro elucidar essa posição de Davidson para com o correspondentismo. Mostro que ela é resultado de uma reflexão de natureza lógico-semântica que ele desenvolveu nas décadas de 60 e 70.
Interpreto essa reflexão como uma argumentação contra o atomismo, no curso da qual Davidson serve-se de uma estratégia conhecida como ‘argumento da funda’, cujo alcance depende da adesão a uma semântica extensionalista.

 

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