Túlio Dos Reis Da Silva – A História Do Crescimento Urbano De Caxias Do Sul

A obra nasce de inquietações do autor sobre o crescimento urbano em Caxias do Sul, no período que abarca o Regime Militar e a transição democrática.

Túlio Dos Reis Da Silva – A História Do Crescimento Urbano De Caxias Do Sul: Do Milagre Econômico À Redemocratização

Túlio dos Reis da Silva nos oferece uma série de dados e informações sobre a evolução urbana de Caxias do Sul e de como a cidade cresce, à medida que se industrializa e como lida com esse crescimento, inclusive com a questão da subhabitação.

A presente obra nasceu de uma série de inquietações do autor sobre o crescimento urbano em Caxias do Sul, no período que abarca o Regime Militar e a transição democrática.

Tem-se ciência de que, durante os vinte anos de ditadura militar no País, o crescimento econômico foi provocado em algumas regiões, em detrimento de outras, e que algumas cidades foram beneficiadas pelo modelo vigente na época.

No contexto da ditadura, constata-se que o crescimento das cidades com potencial industrial foi visível e refletiu a relação entre o êxodo rural, provocado pela atração da chamada industrialização do País, associada ao capital estrangeiro, à mobilidade social, às áreas de “desenvolvimento” e às políticas habitacionais.

A intenção de analisar a expansão urbana desta cidade, conhecida como polo industrial, entre 1972-1988, envolveu o conhecimento dos diversos cenários estabelecidos pelo Regime Militar austero, sendo a habitação uma das questões sociais que apareciam em vários planos econômicos, sempre como déficits a serem resolvidos pelos governos.

Com o objetivo de analisar o jogo dialético que se dá entre o processo de urbanização e de industrialização, numa cidade que havia nascido como produto da colonização agrícola no período imperial, o estudo contribui de forma significativa para a compreensão dos resultados do modelo econômico associado, dependente da industrialização tardia, da ocupação da terra e dos interesses da especulação imobiliária.

O autor contextualiza o estudo, a partir do sistema capitalista e da espoliação urbana proposta nos anos 70 do século XX, quando há prioridade em relação à especulação imobiliária.

Evidencia que o sistema dominante torna a ocupação do espaço urbano, por meio do preço da terra, uma forma de inclusão de alguns e exclusão de muitos.

O exame crítico feito por Túlio dos Reis da Silva é muito rico, principalmente no que concerne aos loteamentos clandestinos, que foram abertos na vigência da Lei 2.088, que permitiu tal abertura, crendo no princípio de estabelecer um padrão de urbanização para a cidade.


Adriano Mendonça Ferreira Duarte – Loteamentos Fechados No Direito Brasileiro

O objetivo da pesquisa foi determinar se os loteamentos fechados são conformes ao ordenamento jurídico brasileiro, perante a liberdade de acesso a bens urbanísticos.

Adriano Mendonça Ferreira Duarte – Loteamentos Fechados No Direito Brasileiro: Análise Da (In)Conformidade Jurídica Do Instituto Perante A Liberdade De Acesso A Bens Ambientais Urbanísticos

Este livro tem por objetivo, avaliar os efeitos produzidos pelo crescimento das comunidades fechadas no meio ambiente urbano, especialmente, os relacionados aos loteamentos fechados e a obstacularização de acesso por eles provocada a bens ambientais urbanísticos.

As comunidades fechadas representam um fenômeno de ordem urbana que vem crescendo exponencialmente, não somente no Brasil, mas em todo mundo.

Em território brasileiro, podem ser qualificadas como loteamentos fechados, ditos “condomínios urbanísticos” e representam em algumas cidades, uma das formas mais expressivas de ordenação do solo urbano.

Da implantação dos loteamentos, surgem inúmeros problemas de ordem jurídica, urbanística e social, dentre eles, a obstacularização de acesso a bens ambientais, cuja liberdade de acesso representa uma garantia fundamental, relacionada à função social da propriedade pública.

O objetivo da pesquisa foi determinar se os loteamentos fechados são conformes ao ordenamento jurídico brasileiro, perante a liberdade de acesso a bens urbanísticos.

Dentre as cidades afetadas pelo fenômeno, foi escolhida a cidade de Lagoa Santa/MG para a análise de dados, donde pode se concluir que as inconformidades não estão relacionadas somente à constituição dos empreendimentos, mas também em relação à colocação de muros, portarias e cancelas que criam um obstáculo físico, moral e social ao desenvolvimento urbano.

Os bens de uso comum, internos aos loteamentos possuem características urbanísticas e não podem ter o acesso limitado, por apresentarem uma função social semelhante aos demais bens ambientais.

Da obstacularização, proporcionada pelos loteamentos fechados, tem-se a ocorrência de verdadeiros danos ambientais coletivos que provocam lesões aos principais direitos relacionados ao bem estar das cidades, como o direito a moradia, lazer e saúde urbana.

Frente a tal realidade, conclui-se que os loteamentos fechados, na forma como se apresentam na atualidade, são ilegais e ainda não possuem conformidade com o direito ao livre acesso a bens ambientais urbanísticos.


Aline Fonseca Iubel & Outros – As Muitas Vistas De Uma Rua

As Muitas Vistas de Uma Rua é um passeio pelas novas e antigas calçadas da Riachuelo para observar sua arquitetura, uma visita às suas gentes.

Aline Fonseca Iubel & Outros – As Muitas Vistas De Uma Rua: Histórias E Políticas De Uma Paisagem

As Muitas Vistas De Uma Rua é um passeio pelas novas e antigas calçadas da Riachuelo para observar sua arquitetura, uma visita às suas gentes, seus conflitos, seus afetos e às histórias que compõem as cinco quadras desta rua.

Mas também percorre olhares de diferentes atores responsáveis pelo processo de revitalização e patrimonialização da rua, as inúmeras retóricas de perda e violência produzidas na mídia em torno dela, as narrativas de diferentes pesquisadores sobre seus arredores.

Ruas nos fornecem trajetos, mas elas têm suas próprias trajetórias, suas histórias.

A Rua Riachuelo, uma das mais antigas de Curitiba e localizada no coração desta cidade, viveu diversos momentos: de glória e fervor comercial e político; de declínio, deterioração e esquecimento, de degradação.

Sua história remonta pelo menos até os anos 1820-1830, quando passa a aparecer nas atas da Câmara Municipal, sob a alcunha de Rua Lisboa ou Rua dos Lisboas. Já foi chamada também de Rua dos Veados, Rua do Campo e Rua da Carioca, tendo ganhado seu atual nome, Rua Riachuelo, em 1871, uma homenagem à batalha da Guerra do Paraguai.

Há quem diga que a Riachuelo sempre teve vocação para o comércio, embora tenha sido também o endereço de oficinas, pequenas indústrias e residências de famílias influentes, sobretudo de imigrantes.

Aquelas poucas quadras, que ligavam o então Mercado Municipal (situado na atual Praça Generoso Marques) ao Largo da Carioca da Cruz (atual Praça 19 de Dezembro), estavam muito bem localizadas em relação aos outros espaços que iam surgindo na cidade.

A Riachuelo tornou-se quase passagem obrigatória para quem se deslocava do centro ao Passeio Público, inaugurado em 1886. No ano seguinte, uma linha do bonde vai ligar intimamente a rua à importante Estação Ferroviária e aos seus caminhos de ferro.

Com isso, surgem novas construções e estabelecimentos comerciais na Riachuelo que, na virada do século, contava com um variado sortimento de lojas de calçados, botequins, armarinhos, farmácias, livrarias, barbearias, açougues e casas de secos e molhados.

Ruas são e não são todas iguais. Se, por um lado, elas são apresentadas como pequenas linhas no labirinto indiferente de um mapa urbano, por outro, cada rua tem seus próprios fios de lembranças e esquecimentos, que se ligam ao emaranhado das memórias que compõem as cidades.

Há uma dimensão das ruas que se faz nelas mesmas, cotidianamente, pelas práticas e representações de seus transeuntes, moradores, comerciantes, curiosos e distraídos.

Porém, às vezes, as ruas têm parte de suas vidas decididas em gabinetes distantes ou nos riscos precisos de uma prancheta, por políticos ou técnicos, que nada têm a ver com elas, ou que estabelecem relações institucionais e oficiais com as mesmas.

Há momentos, nas trajetórias das ruas, em que as conexões entre as dimensões, a institucional e a que é vivida cotidianamente, ficam mais evidentes, como nas revitalizações.

Nesses encontros são acionados conceitos, ideias, imaginários, discursos e falas, muitas vezes conflituosos.

Em se tratando da luta pela construção de memórias das cidades, projetos de revitalização e reforma quase sempre acionam também debates sobre patrimônio, nos quais são marcadas posições e disputados saberes e poderes.


Dennison De Oliveira – Curitiba E O Mito Da Cidade Modelo

Curitiba E O Mito Da Cidade Modelo procura revelar as razões do suposto êxito da política de planejamento urbano desenvolvida em Curitiba desde 1965.

Dennison De Oliveira – Curitiba E O Mito Da Cidade Modelo

Elaborado sob um ponto de vista que busca ser alternativo, Curitiba E O Mito Da Cidade Modelo procura revelar as razões do suposto êxito da política de planejamento urbano desenvolvida em Curitiba desde 1965. Na retórica oficial do poder público, esse sucesso se deve ao talento e competência de seus arquitetos e urbanistas.

Usando uma perspectiva histórica, o autor enfatiza o contexto institucional e político que permitiu aos urbanistas impor à sociedade local o seu projeto de cidade e examina a relação mantida entre os urbanistas e as elites econômicas da cidade, tida como a principal responsável pela estabilidade e permanência do mito de Curitiba como ‘cidade modelo’.

Do “laboratório de experiências urbanísticas” dos anos 70 à “Capital ecológica” dos anos 90, a cidade de Curitiba conseguiu projetar, ao longo de todos estes anos, uma imagem extremamente positiva da sua gestão urbana, fato que, afinal, terminou por alçá-la à condição de modelo para todo o país. Esta circunstância acabou gerando um interesse crescente pelo exame da experiência curitibana de planejamento urbano.

Ao mesmo tempo, não é difícil se perceber que este sucesso no campo do planejamento urbano tem no êxito político-partidário o seu corolário. Com efeito, a positividade da experiência urbanística de Curitiba em tempos recentes está indissociavelmente ligada à imagem do ex-prefeito (gestões 1971-1975, 1979-1982, 1988-1992), arquiteto, urbanista e governador do Estado (1994-2002), reeleito inclusive para um segundo mandato, Jaime Lemer.

De fato, este personagem e o staff a ele associado aparecem na história política recente da cidade e do Estado como um grupo hegemônico não só amplamente capaz de garantir a supremacia sobre seus adversários político-partidários locais como de aspirar à conquista do posto máximo da República.

Contudo, toda e qualquer leitura atenta das representações contemporâneas desta cidade permite perceber a mistificação que as permeia.

Uma análise objetiva das reais condições da malha urbana e dos méritos – supostos ou reais – das realizações operadas pelos planejadores urbanos desde os anos 70 irá se deparar com inúmeras manifestações e fenômenos de todo incompatíveis com a imagem que se projeta da cidade.

Dessa forma, não se pode deixar de notar que as representações oficiais da cidade são extraordinariamente parciais, enfocando em demasia alguns aspectos, desconsiderando outros e praticamente ignorando as manifestações que contradigam a positividade do cenário.

Nem poderia ser de outra forma. Afinal, as representações que se pretendem hegemônicas interpretam a realidade à sua maneira. É precisamente sua parcialidade, seu caráter incompleto e suas ênfases obsessivas que lhes conferem um mínimo de credibilidade e coerência.

João Rua (Org.) – Paisagem, Espaço E Sustentabilidades

A proposta de Paisagem, Espaço E Sustentabilidades é integradora: por meio de uma abordagem ambiental e ao mesmo tempo interdisciplinar, destaca a dimensão planetária da sustentabilidade.

João Rua (Org.) – Paisagem, Espaço E Sustentabilidades: Uma Perspectiva Multidimensional Da Geografia

Em uma época de crescente destruição dos ecossistemas e de rápida redução da biodiversidade, é de grande interesse o resgate de diferentes olhares de populações sobre o ambiente: seus valores éticos e ambientais, suas crenças, sua relação com a natureza e as preocupações com o futuro das próximas gerações.

São questões complexas da contemporaneidade que exigem uma nova Geografia, voltada para a interdisciplinaridade e o aprimoramento de sua capacidade crítica, ampliando a possibilidade de solução de problemas relativos à organização do espaço, incluindo as dimensões sociais, culturais e religiosas.

Organizado por João Rua, Paisagem, espaço e sustentabilidades reside na convergência entre duas linhas de pesquisas: Transformação da Paisagem, que salienta a dimensão cultural e social dos processos ecológicos, e Espaço e Sustentabilidades, que enfatiza o ambiente natural nas relações sociais, com foco nas sustentabilidades.

Essa visão convergente é concretizada por meio de uma integração no tratamento dos processos ecológicos, sociais e culturais ocorridos no ambiente, dando origem às diferentes sustentabilidades: ambiental, territorial e econômica, entre outras.

A proposta do livro é integradora: por meio de uma abordagem ambiental e ao mesmo tempo interdisciplinar, destaca a dimensão planetária da sustentabilidade.

Questões prementes da atualidade, como os processos de globalização, territorialização e segregação socioespacial das novas possibilidades de industrialização, da ressignificação do espaço rural frente às transformações da agricultura, são discutidas, nesta obra, pelo viés da sustentabilidade.

Neste livro, haverá trabalhos com destaque da dimensão planetária da sustentabilidade, por exemplo, enquanto outros estarão pautados na sustentabilidade social, na política ou na ecológica.

Cada capítulo, então, enfatizará uma ou algumas das dimensões apontadas pelos autores referidos, mas destacando a espacialidade de tais dimensões, como convém a uma análise geográfica.

Outro ponto de convergência entre as duas linhas é a ênfase dada à ética ambiental, que, além de constituir um dos diferenciais do nosso trabalho, alimenta as reflexões sobre distintas racionalidades que presidem a prática e o discurso sobre meio ambiente.